Arquivos para março, 2002
Arquivos por Mês
ter 19 mar 2002
Sei que é quase chavão afirmar que brasileiro só é patriota em copa do mundo, mas tem horas que o apoio popular aos brasileiros que realmente defendem os interesses da nação (ou mesmo da humanidade) faz muita falta. É o caso do embaixador José Maurício Bustani, que ocupa a secretaria executiva da OPAQ, uma entidade que busca a diminuição das armas químicas no mundo todo.
Eleito (e re-eleito) por voto direto e unânime dos representantes de mais de 140 países, Bustani tem sido extremamente eficiente no seu papel, o que é confirmado pela redução global na produção e armazenamento destas armas nos últimos anos. Apesar disto, os EUA pedem o afastamento de Bustani, sem quaisquer argumentos consistentes.
O motivo real: Bustani está conduzindo as negociações para a retomada das inspeções no Iraque. Isto prejudica os esforços da máquina de propaganda americana de pintar uma imagem de intransigência no país e justificar uma invasão. É bom lembrar que uma ação militar no Iraque não resolveria nenhum problema, seja do Oriente Médio ou do Ocidente, e só servindo para justificar a atitude belicosa administração Bush, já vista por muitos como um dos fatores que causaram o atentado de 11 de Setembro.
Felizmente o Itamaraty parece estar reagindo a favor do embaixador. Resta saber se os países que integram a organização irão ter o bom-senso de refrear os ânimos do cowboy republicano quando o assunto for a voto (as perspectivas são animadoras, mas na hora “H” nunca se sabe).
O chato mesmo é pensar que até Romário teve mais apoio brasileiro lá fora (tanto do povo quanto do presidente) do que Bustani, mesmo considerando que o baixinho incentiva muito mais a discórdia do que a paz…
seg 18 mar 2002
Ok, sei que estou exagerando no assunto software, mas este artigo é irresistível por falar algumas verdades para a comunidade “especializada” que insiste em achar que os males do mundo da informática começam e terminam em Redmond…
seg 18 mar 2002
Eu sempre fui contra a idolatria de pessoas, vivas ou mortas, até que conheci o trabalho de Joel Spolsky. Ele já foi desenvolvedor da Microsoft, da Juno e outros lugares interessantes. Hoje Joel tem sua própria empresa, e se tornou o meu guru espiritual quando o assunto é desenvolvimento de software. Não estou falando da parte técnica do assunto (isso já tem ótimos autores), mas sim da parte gerencial, que na maioria das empresas é dilbertiana demais para uma suposta ciência exata…
Em seu site acontecem discussões de altíssimo nível que tentam desmistificar esta mistura bizarra de engenharia e arte, e hoje encontrei um artigo ótimo, meio antigo até, no qual Spolsky defende que o verdadeiro foco de uma empresa de software deve ser “converter talento em código”, e não perder tempo e dinheiro com atividades secundárias. O artigo é indispensável para quem tem qualquer influência gerencial neste processo.
Os técnicos não podem passar sem ler User Interface Design for Programmers, um convite a se repensar a maneira com que as interfaces com o usuário são criadas. Enfim, o site inteiro é ótimo, Joel é meu pastor, nada me faltará!
qui 14 mar 2002
Ainda bem que eu resolvi ser programador – se eu fosse ser roteirista de cinema em Hollywood estaria passando fome, porque agora só se faz refilmagem. Chegou a vez de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, filme obrigatório nas Sessões da Tarde dos anos 80, ao lado de “A Noviça Rebelde”, “Sete Noivas para Sete Rapazes” (ou algo assim) e todos do Jerry Lewis.
Vamos ver o que pode sair disto. Meu maior medo é chamarem o Danny DeVitto para fazer o papel dos Oompa-Loompas (afinal, hoje em dia basta um ator e bastante Control+C e Control+V na edição).
qui 7 mar 2002
Há alguns anos eu comecei a desenvolver um jogo de Truco para Windows. O projeto caminhou bastante, mas nunca tive tempo de acabar.
Como falta pouca coisa, resolvi disponbilizar o código-fonte para que algum programador Delphi ou Kylix que se interesse complete o jogo. Alguém se habilita?
seg 4 mar 2002
A ilustração aí do lado é o esboço do PainStation, um jogo estilo “pong” criado por dois alemães, no qual cada bola perdida faz o jogador sofrer alguma espécie de punição física na mão que fica sobre a máquina. Estas punições incluem choques, queimaduras, pancadas e afins – cada sensação é causada por um “módulo de execução de dor”, e os rapazes desenvolveram alguns bastante criativos.
O Wired News deu uma boa matéria sobre o assunto, e o site dos caras mostra algumas fotos de gente que saiu bem machucada da brincadeira. Se esse negócio fosse comercializável eu vendia meu Playstation hoje mesmo.
sex 1 mar 2002
Os personagens dos desenhos animados da Warner (e mesmo de outras produtoras) sempre puderam contar com os produtos ACME. E algum doido reuniu todos eles num catálogo que, lamentavelmente, não possui um botão “comprar”. Como vou viver sem a “tinta invisível” ou o “dedão para caronistas”?
A propósito: até hoje não consegui descobrir o que significa ACME – ao menos não como sigla. O verbete acme no Merriam-Webster´s dá “o ponto ou estágio mais alto” ou “aquele/aquilo que representa a perfeição do objeto em questão”. Será que tem a ver?
sex 1 mar 2002
Cansei de ver, nos últimos dias, jornalistas e políticos denunciarem o “absurdo” que é o judiciário saber de tanta coisa sobre Jorge Murad e só tomar uma atitude agora. Será que alguém realmente acredita que, sem uma forcinha “lá de cima”, a vida de um genro de coroné como Jorge Murad seria investigada de alguma forma?
Claro que teve influência PSDBista nos eventos da sexta-feira (os quais, vale lembrar, foram o puro e simples cumprimento da lei), mas é o único jeito (fora uma moralização do poder público, que depende do brasileiro acertar a mão no voto) de combater a nefasta influência PFLista que mantém tramóias como as deste cidadão debaixo dos panos.