Os reality shows não páram de “inovar” – agora tão partindo pro escatológico, segundo o Popular (Terra). Agora só falta fazerem uma mini-série baseada na obra do Marquês de Sade (que eu não li, mas meu mordomo leu – ma-ôe – aham, um amigo meu está lendo e me narrou uns lances de virar o estômago)
Arquivos para abril, 2002
dom 21 abr 2002
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sex 19 abr 2002
A frase acima (e variantes do gênero “o Jô Soares é extremamente bicha”) tem aparecido em pichações espalhadas pela cidade de São Paulo. Eu já vi na Av. Salim Farah Maluf (perto da Álvaro Ramos), na Av. do Estado, e, mais recentemente, embaixo da ponte Bernardo Goldfarb (a “gêmea” da Eusébio Matoso) na Marignal Tietê. Sempre que as vejo me pergunto o que diabos motivou seu surgimento – não que pichações precisem de motivo ou cosutmem ter algum sentido, mas essas me confundiram um bocado.
Elas me remetem a um inspirado momento de um show do próprio Jô (do início dos anos 80): ele dizia que sabe-se quando alguém atinge o ápice da fama quando começam a circular boatos sobre a sexualidade da pessoa. Sei que é absurdo, mas não pude deixar de me perguntar se o próprio Jô, aplicando seu raciocínio, estaria mandando escrever isso nas ruas pra aumentar seu ibope.
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ter 16 abr 2002
Finalmente assisti o tão falado episódio dos Simpsons que se passa no Brasil. É bacana, como de costume. Tem algumas misturas culturais inevitáveis mas, no geral, os roteiristas sabem do que estão falando – a apresentadora do programa infantil teleboobies é prova cabal disto.
E dá pra comprovar que a choradeira da Riotur em torno do assunto não passa de mais um dos “factóides” da administração Cesar Maia. Pelo jeito, o prefeito ficou sem mais o que inventar (ao menos desde o episódio da Avenida Atlântica) que possa desviar a atenção popular da sua absoluta incapacidade como governante.
Para quem tem saco/banda que permitam fazer um download de 70MB (e tá com o inglês acima do “the book is on the table”) aqui tem o desenho na íntegra. Mas não é nada que não dê pra esperar passar no Brasil (se é que vai)…
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ter 16 abr 2002
Se eu tivesse lido The Dark Side Of Web Publishing, talvez não estivesse escrevendo aqui (ou teria criado o site só pra sentir o drama). O autor faz uma brincadeira interessante: imagina que Madame Curie (ganhadora de dois prêmios Nobel de Química no início do século) tivesse montado um site, e mostra todos os tipos de e-mails inúteis que ela teria recebido. O engraçado é que é verdade: eu mesmo já recebi cada coisa…
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dom 14 abr 2002
Um amigo me apontou este interessante artigo que trata de um daqueles pequenos dramas cotidianos: o fato de que o limão na coca-cola virou um default em São Paulo, i.e., se você não pedir uma coca sem limão (com ênfase), ela fatalmente virá com limão.
Eu nunca fui muito fã do cítrico na bebida industrializada. Acontece que, por algum fenômeno bizarro, quando você diz “uma coca sem limão”, o garçon fatalmente registra “mmmmmCocammmmmlimão”, e o que chega na cozinha é algo do tipo “Zé, manda uma coca com bastante limão”, e lá vem o copo lotado…
Assim, resolvi me resignar e “me acostumar com o sabor” da coca com limão (como dizia aquela propaganda de água tônica que era o ápice do marketing estilo cara-de-pau) . Pode parecer bobagem, mas pelo menos agora quando eu peço uma coca com limão e gelo vem exatamente o que eu pedi.
Isso é melhor? Eu sinto que sim, o que me basta. Se for necessário embasar, a teoria psicológica do desamparo aprendido diz que assim eu aumento minha sensação de controle do ambiente e por isso vivo mais feliz.
Para quem julga o meu comportamento conformista, eu digo apenas que prefiro mil vezes sê-lo com um reles limão, dedicando meu senso crítico a coisas realmente importantes, a fazer como uns e outros que aprontam o maior escândalo em defesa dos seus importantíssimos direitos no restaurante, mas simplesmente se conformam com o rouba-mas-faz e outros absurdos da brasilônia…
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sáb 13 abr 2002
Claro que o funeral foi pomposo, e os ingleses compareceram em peso, mas daqui do terceiro mundo ficou uma impressão de que a morte da plebéia Diana foi mais traumática do que a da própria Rainha-Mãe – ao menos, teve mais “media stickness” (para usar um termo da própria mídia), visto que os informativos já se ocupam de outros assuntos.
Essa aparente inversão de prioridades é difícil de medir (estamos falando, entre outras coisas, do inconsciente coletivo). Fora que é curioso pensar que não se restringe aos excêntricos ingleses: juntando a comoção em torno da morte de Tancredo Neves ou Mario Covas a todos os outros passamentos “oficiais” não creio que some-se metade do clima de estupefação nacional em torno da última corrida de Ayrton Senna.
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ter 2 abr 2002
Depois de incontáveis finais-de-semana, consegui organizar e catalogar os meus gibis, e, só de farra, coloquei a lista no site pra quem tiver curiosidade…
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ter 2 abr 2002
Dessa vez, mataram o Kenny mesmo. E essa notícia me fez pensar: por que os autores de quadrinhos e desenhos de sucesso precisam tão desesperadamente assassinar suas criações quando estas estão no auge?
Creio que Crumb começou esta onda, ao dar cabo de Fritz. Mas o caso dele é fácil de entender: o personagem estava tomando um rumo muito comercial, ele não curtiu, cortou pela raiz. Não foi o único: o Angeli mandou pro saco a Rê Bordosa na mesma linha de pensamento.
No extremo oposto, temos as editoras que descobriram que é uma boa idéia “matar” personagens quando suas vendas não andam muito boas – vendem-se alguns gibis “a morte do fulano”, “o enterro do fulano”, “a missa de sétimo dia do fulano”, e, claro, “a ressurreição do fulano”. Eventualmente surgem histórias boas (o “fulano” precussor, que todo mundo sabe quem é, foi agraciado com bons roteiros e desenhos, especialmente após a “ressurreição”), mas o golpe de marketing é evidente.
Acho que o caso do Kenny foi uma mistura dos dois: os autores se encheram o saco *e* resolveram chamar a atenção, eventualmente transformando isso em lucro. Como se South Park precisasse… :-)