Arquivos para maio, 2002
Arquivos por Mês
ter 28 mai 2002
Não é raro vermos pessoas talentosas que “desaparecem” na sociedade porque não se “vendem”, seja por timidez ou modéstia. Isso é lamentável, mas tem o outro extremo: gente que acredita que o universo gira em torno do próprio umbigo. Não esou falando dos Arthur Clarkes da vida, i.e., gente que é um pouco “metida”, mas cujo talento até lhes dá um pouco desse direito, e sim daqueles que não têm nada a dizer, mas insistem em procurar os holofotes.
Estou falando isso porque não sei em qual categoria encaixar este site. É a home-page de um empresário que tem seus dotes de inventor (o suporte de bebedouro, se tivesse um botão compre, eu já tinha levado), etc. e tal, até podia se colocar como um “self-made man”, mas o tom é arrogante demais. A palavra que mais aparece na home é “eu”, e ele podia ter passado sem o ridículo flash da abertura.
Só pelo tom “umbigal”, eu mandaria direto para o Hall of Shame, perdendo, talvez, para o famosíssimo Joel, o campeão nacional da falta de noção (se você tem estômago forte, desligue a caixa de som e conheça-o aqui), que chegou a ter sua legião de “anti-fãs”. Claro, ele pelo menos tem algo a oferecer para o mundo, mas pra que fazer tanto papelão?
Será que as pessoas são felizes assim? Se forem, por favor, me vendam a fórmula, que eu estou precisando!
ter 21 mai 2002

Para quem nunca viu: emuladores são programas que simulam o funcionamento de computadores ou videogames antigos, permitindo que se rode os programas destas máquinas nos micros modernos (veja e pegue
aqui alguns deles).
Estes programas, nem sempre legais, são desenvolvidos geralmente por programadores solitários – no máximo, pequenos grupos colaborando através da Internet. E eu me diverti muito visitando o Emu-Celebs, um site dedicado a mostrar as pessoas por trás deste universo: programadores, webmasters, organizadores de ROMs (cópias dos softwares). Pra quem já reviveu um Atari ou MSX virtual vale a pena perder uns minutos aqui.
qui 16 mai 2002
Essa nota é pra reparar uma injustiça. Já citei mais de uma vez o Omelete aqui, e fora a tiração de sarro com o nome do site, nunca comentei a respeito. O site é o que há de melhor quando o assunto é “cultura nerd” – ou, pelo menos no ramo de quadrinhos/desenho animado da coisa, do qual posso falar com mais propriedade.
Além de muito, muito, muito material, os caras focam em pontos divertidos, como esta reportagem sobre Thundercats. Os artigos “opinativos” de vez em quando me desagradam – mas, assim como no futebol, é justamente essa incerteza sobre a qualidade dos lances que dá o molho para a coisa. Mas no quesito informação são imbatíveis mesmo!
qua 15 mai 2002
Depois de produções bem-cuidadas e com pelo menos um pouco de respeito à inteligência do público, como foram X-Men e Homem-Aranha, as pessoas parecem estar perdendo o medo das adaptações de quadrinhos para filmes.
Comigo não, violão! O Omelete (site cujo conteúdo é muito mais interessante que o nome) publicou esta excelente relação de filmes e seriados fuleiros baseados em quadrinhos. Uma passagem rápida pela divertidíssima lista mostra que a indústria do cinema ainda tem muito do que se redimir neste setor – e olha que eles esqueceram o Besouro Verde, cujo assistente (Kato) era intepretado pelo estreante Bruce Lee…
ter 14 mai 2002
Era de se desconfiar, mas eu não sabia: Steven Spielberg é um college dropout, ou seja, abandonou a faculdade para seguir sua carreira. O curioso é que, moço feito, resolveu retomar os estudos – e conseguiu. Ele salienta, claro, que não precisa do diploma, mas o fez por questões simbólicas.
Achei muito positiva a atitude, principalmente pelo exemplo para os mais jovens. Não é muito animador para quem se dedica à faculdade ver que os homens mais ricos e bem-sucedidos do mundo a abandonaram para perseguir seus objetivos, ao invés de usá-la neste sentido.
BIAS ALERT: Claro que eu sou suspeito para falar do assunto pois, guardadas as devidas proporções, me identifiquei com o caso: também abandonei a faculdade em prol do trabalho e, coincidentemente, também estou iniciando o árduo (mas certamente compensador) processo de retomada da graduação…
sex 10 mai 2002
Eu achei que era um daqueles exageros que tradicionalmente se permite nas manchetes dos jornais, mesmo naqueles mais sisudos. Mas o JT tem lá a sua razão ao batizar de “inferno astral” os dois últimos anos do McDonalds, e todas as dúvidas desaparecem ao examinar este quadro no qual o jornal coletou alguns momentos dessa crise de uruca que acometeu a rede. Meu palpite é que o Carlinhos Brown, o pé-frio campeão do Brasil, está fritando hamburguers em alguma loja da rede…
qui 9 mai 2002
Webdesigners são pessoas estranhas, mesmo para os meus padrões. Talvez seja por isso que eu convivo com tantos. De qualquer forma, a Wired encontrou um que chuta o balde: ele é fanático por músicas de filmes pornôs, e criou uma web rádio que fica transmitindo 24 horas essas músicas. Dê uma olhada – é a maior viagem ficar imaginando as situações em que cada música foi usada!
qui 2 mai 2002
Todo mundo já teve algum amigo, professor de história ou colega de trabalho teórico da conspiração, daqueles que acha que qualquer mudança nos intervalos comerciais da televisão é uma tentativa de propaganda subliminar. Quando isso se mistura com religião, então, é que a casa cai.
Pois bem: recebi o link de um site que é um excelente exemplo de tudo isso. Os autores tentam mostrar que os estúdios Disney estão empreendendo uma guerra santa contra o Cristianismo, usando as criancinhas como armas. Eu achei doideira, mas cada um que tire suas conclusões…
qui 2 mai 2002
… ele prova a sopa, pega uma faca e se mata”. Esse trecho surreal é parte de uma brincadeira de salão, cujo nome eu nunca soube, mas que rende boas risadas. Funciona assim: uma pessoa conta uma história curta (como a que acabei de citar), e os outros têm que descobrir o que aconteceu, explicando o paradoxo presente na história contada (no caso: as pessoas não costumam se suicidar após tomarem uma sopa de gaivota).
Para isso, todos podem fazer perguntas ao “contador” da história, que só pode responder na linha: “sim”, não”, “é indiferente” ou “refaça a pergunta”. Quando reunem bastante informação, podem tentar contar a história que há por trás, e o “contador” diz se tem a ver com a “resposta” (que só ele sabe) ou não.
Não tem muita “regra” no jogo, e isso só o torna mais divertido, pois as pessoas fazem as maiores viagens, tanto nas perguntas quanto nas tentativas de explicar a história. Claro, uma vez revelada, uma história não é aproveitável dentro do mesmo grupo, mas todos os integrantes acabam indo aplicar a outros grupos (e basta chegar um novato que dá pra repetir uma história – com vários “contadores” também é engraçado, porque começam a rolar controvérsias com perguntas dúbias).
A brincadeira é velhíssima, mas estou falando dela porque hoje eu descobri que existe uma porrada de histórias aplicáveis (eu só conhecia a da gaivota). Num serviço de utilidade pública para nerds, resolvi colocar aqui algumas dessas histórias. Clique em “explicação” para saber a resposta, isto é, a história que explica o fato.
Claro que não tem a menor graça ler aqui, o legal é aplicar a brincadeira. Por isso, não coloquei muitas (pra não estragar a diversão dos mais afoitos) – a idéia é que você aprenda duas ou três para usar com os amigos, certamente alguém vai conhecer outra e você passa ao papel de “perguntador”.
Aí vai:
- Um homem entra num restaurante e pede uma sopa de gaivota. Ele prova a sopa, pega uma faca e se mata. (explicação)
- Um homem mora no 14o. andar de um prédio. Sempre que faz sol, ele usa as escadas para subir até seu apartamento. Quando chove, ele usa o elevador. (explicação)
- Um homem faz uma viagem de trem até a capital, voltando alguns dias depois. No meio da viagem de volta, ele se mata (explicação)
A minha predileta eu deixo sem resposta, quem quiser saber me procure pessoalmente (ou ainda: que tal tentar jogar por e-mail? Será que dá certo?):
- Um homem está morto no meio de um deserto, nu, com um palito na mão.
Explique!!!
qui 2 mai 2002
A Abril decidiu voltar a publicar seus gibis no polêmico “formatinho”. Num primeiro momento, achei uma boa, já que HQ de super-herói raramente justifica um grande investimento, mas a preços populares dá pra correr mais riscos.
Infelizmente, os preços não serão tão populares quanto nos anos 90: o gibizinho de 50 páginas foi anunciado por R$ 2,50. Parece pechincha, mas a agora aposentada linha “Premium” (formato americano) saía a R$ 10 por gibi de 160 páginas. Na ponta do lápis: R$ 0,05 por página no formatinho, versus R$ 0,0625 no americano. Ou seja, a economia é de meros 20% com a mudança de formato. Já foi muito maior, chegando aos 50% de economia quando se publicava em formatinho.
Pelo menos o preju pra quem quiser ler tudo o que sai de DC no mês será menor: com duas revistas quinzenais, gastava-se R$ 40 por mês, com cinco gibizinhos quinzenais, serão R$ 25. Claro que liam-se 640 páginas, e agora teremos “apenas” 500, mas fazer o que? Ao menos as revistas regulares da DC andam com um nível muito bom (parece que eles sacaram que é melhor produzir menos quantidade e mais qualidade), ao contrário da Marvel, da qual a Abril fez bem em se livrar. Como esse mundo dá voltas…