Enquanto somos obrigados a aturar aberrações de marketing do calibre do “experimenta, experimenta” (alguma TV paga chegou ao cúmulo de gastar meu tempo e dinheiro com um making-of dessa patasquada), os gringos se divertem com a campanha de relançamento do Napster, na qual vários cartazes de rua aparecem sobrepostos por adesivos com o logotipo da empresa .
Parece ser mais um twist bizarro da guerrilha anti-marketing – um subproduto interessante dos estranhos anos 90. Claro, os verdadeiros adulteradores de cartazes não curtiram muito. Mas faz parte.
É, minha gente, é isso aí mesmo: um vibrador da Hello Kitty! Claro, é vendido como “massegeador de costas”, e até passa despercebido entre os badulaques da típica bolsa de adolescente feminina. Mas nem a loja virtual bota muito uma fé no uso recomendado pelo fabricante.
Respeito quem usa, mas pra mim masturbação é coisa séria: o que diabos a pessoa pensa quando está sendo possuida pela Hello Kitty??? Pouco importa seu sexo biológico, opção, ou o que quer que seja: é bizarro demais, até para mim!
Com o trabalho e as provas se acumulando, sobra pouco tempo para ler, assistir, navegar, fuçar, enfim, garimpar matéria prima para escrever aqui. Mas acabei dando de cara com o álbum Restolhada. O autor, Marcatti, dispensa apresentações – ou melhor, eu achava que dispensava – até ler o álbum.
Para mim, o Marcatti sempre foi aquele cara totalmente escatológico, dono de um traço “sujo” (como ele mesmo define), cujo zelo quase religioso pela a estrutura e pelos detalhes faz você querer mais, mesmo sem entender o porquê. Eu acreditava até que tinha algum material “pioneiro” dele, um fanzine de 1988. Ledo engano.
A coletânea compreende umas umas quinze histórias das mais diversas fases do autor (sim, ele já fez histórias sem um único ato erótico ou nojento), que, aliadas à entrevista da abertura, permitem uma visão menos simplista do seu trabalho.
Comecei a entender (e compartilhar) um pouco mais do respeito que praticamente todo mundo na área de HQ tem pelo cara. O livro é relativamente antigo (2000), mas eu achei em prateleira de livraria, então deve ser fácil de encontrar. E é bom lembrar que o Marcatti voltou às bancas com o Fráuzio, outro que vale cada centavo (e olha que são poucos centavos – o gibi é baratinho).