Arquivos para outubro, 2003

Não vou me alongar demais explicando o que foi o Zap Comix (tem muito material na Internet sobre o assunto). Como o gibi/fanzine influenciou meio mundo – incluindo o meio mundo que me influenciou – comprei assim que vi na frente (apesar do preço salgado, na faixa dos R$ 30).

Honestamente, foi um pouco frustrante. Claro, é bacana para quem gosta de quadrinhos e quer ir um pouco além do convencional – ainda mais pelos textos introdutórios. Só que, em termos de diversão… sei lá, ficou bem atrás, por exemplo, da coletânea R. Crumb: Fritz the Cat, da mesma editora (Conrad), ou de outros quadrinhos do Shelton – por exemplo, “As Aventuras dos Fabulosos Freak Brothers” (outra ótima edição, embora um pouco difícil de achar).

Se for pra gastar mais de vinte mangos em quadrinhos, vá direto em O Nome do Jogo, do também clássico Will Eisner. Quando li a contracapa, hesitei por quase 15 segundos antes de comprar (uma heresia, em se tratando de Eisner). Afinal, pensei, é mais uma história da comunidade judaica do início do século. Cheguei a me perguntar se o Eisner começou a ficar sem idéias.

Claro, me enganei de novo. Mas dessa vez foi para o bem: o autor mais uma vez reinventa a própria narrativa. Ao invés de prosseguir com suas já consagradas histórias de tom autobiográfico sobre os imigrantes judeus de classe média baixa, Eisner partiu para a pesquisa e retratou o outro lado, isto é, os imigrantes judeus que enriqueceram na América.

O resultado, é, como de costume, instigante, se destacando pela isenção – o que foge dos lugares-comuns que permeiam quase todos os livros, filmes e quadrinhos sempre que o tema envolve o povo judeu. Também um pouco caro, mas compensa.

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Já fui leitor ávido da Revista Wired, mas hoje eu tenho um pé atrás. Convenhamos, falar sobre “era digital” ou “nova economia” é meio que dar a previsão do tempo de ontem (e ainda por cima, errando de vez em quando).

Apesar disso, a qualidade continua inquestionável. Quando pinta uma novidade realmente interessante, não só costuma aparecer primeiro lá, como também acaba sendo a melhor apresentação.

O que me chamou a atenção para o fato foi esta matéria, que fala sobre um novo feature da Amazon: a maior livraria online criou uma espécie de “Google para livros de papel”, isto é, digitalizou uma quantidade razoável deles, e agora permite que você faça buscas no conteúdo destes livros.

A coisa ainda está nos estágios iniciais, mas vale a pena perder um tempo (tanto na matéria quanto no site), porque isso é mais revolucionário do que parece.

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Estava eu procurando material de apoio para entender melhor o último artigo do Joel Spolsky, quando me vi no site oficial do Unicode (sim, existe um).

Ali eu encontrei a seção East Asian Scripts do manual do Unicode, isto é, a parte que diz respeito a caracteres chineses, japoneses, coreanos e similares. É um trabalho fantástico, que desnuda muitas das diferenças e nuances destes sistemas de escrita, tão semelhantes à primeira vista.

Claro que, sendo desenvolvedor e estudante de Japonês, meu interesse é maior, mas poucas vezes eu vi uma explicação tão acessível para não-iniciados. Show de bola.

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Em mais um controverso artigo de John Fitzpatrick (jornalista escocês residente no Brasil) veio esta pérola do crime digital: os caras estão vendendo um spray anti-radar para automóveis.

No espírito do que disse o jornalista, um crime é um crime, mas quando a vítima também é um pretenso criminoso, dá uma sensação de justiça. É inevitável.

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Quando eu vi o Iraq Body Count pela primeira vez, achei um pouco macabro, e creio até que tenha condenado mentalmente a idéia. Mas pensei melhor e percebi que este dado é importante para que as pessoas percebam o que foi (ou melhor: o que está sendo) esta guerra.

A seção database do site faz um trabalho bastante profissional, consultando várias fontes jornalísticas e trabalhando com os relatos mais otimistas e mais pessimistas – o que ajuda a minimizar a já conhecida parcialidade de agências específicas.

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