Sabe aquela história de que a água escorrendo da pia sempre gira num mesmo sentido no hemisfério norte, e no sentido oposto no hemisfério sul? Pois é, é mentira. E o lance de o ser humano só usar 5% (ou 10%, dependendo da fonte) do cérebro? Cascata também.
Esta época do ano (em que a criançada começa a descobrir que o Papai Noel não existe) é bem apropriada para a leitura do Projeto Ockham, um site que desconstrói uma série de mitos desse gênero, procurando, em suas próprias palavras, “estimular a análise racional, ao invés da crença cega em informações de origem duvidosa”. Demorou.
Arquivos para dezembro, 2003
sex 26 dez 2003
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qui 25 dez 2003
Uma das grandes virtudes da comunidade do software livre é seu primor pela excelência técnica. Infelizmente, este é o catalisador do que é possívelmente seu maior vício: a disposição que este pessoal tem para dizer bobagens sobre assuntos que pouco entendem – desde o software do concorrente até ética e geopolítica.
Joel Spolsky demostrou um exemplo disto em sua brilhante análise do livro The Art Of UNIX Programming. É claro que não é preciso ir tão longe para perceber que, para cada insight inteligente que o Eric Raymond tem, ele diz umas cinco dúzias de abobrinhas.
Como de costume, Joel extrapolou o objetivo original, culminando em uma radiografia precisa das principais diferenças entre os desenvolvedores Windows e UNIX – e isto ajuda a entender melhor as motivações por trás dos usuários de cada um dos sistemas. O que veio em boa hora, já que eu estava lendo dois livros sobre o assunto:
Software Livre e Inclusão Digital é uma coletânea de autores diversos, que foca muito mais na questão da inclusão digital no Brasil do que nos aspectos técnicos do software livre. O mérito está no enfoque local, em tentar entender como o software livre ajudou e pode ajudar nesta questão – é um pouco chover no molhado, mas vale o exercício.
Boa parte dos textos são de pessoas ligadas a iniciativas já em andamento – um tom panfletário é inevitável, já que muitas destas ações partiram de prefeituras e governos ligados a um mesmo partido, o PT. O lado positivo é que isto torna possível conhecer detalhes de ações como os Telecentros – tanto das especificações técnicas quanto do perfil de uso e resultados práticos.
A maior parte dos textos tem um tom mais acadêmico, o que, embora facilite seu uso como ferramenta de divulgação e sustentação, os torna bastante enfadonhos. Vale mais como consulta do que como leitura de capa a capa.
Em contrapartida, Só Por Prazer, a autobiografia de Linus Torvalds, é um livro divertidíssimo. Com um bom papo que rivaliza Steve Jobs (aliás, o episódio do chega-pra-lá no Jobs já vale a leitura), ele narra em detalhes sua vida até o “estrelato”. Linus usa um ghost writer que nem é tão ghost assim, o que dá uma boa credibilidade.
Os detalhes é que são a parte interessante. Por exemplo, muito do que ele aprendeu de Assembly se deu graças à pouca disponibilidade de software para o Sinclair QL, seu segundo computador (o primeiro foi um VIC-20). E o surgimento do Linux tal como ele é se deu devido à sua vontade de aprender detalhes sobre o 386, só isso.
Linus se dedica bastante a desfazer o mito do supergênio, que conhece desde sempre o alfa e o ômega da computação. Claro, ele é, sem dúvida, um programador “olho de tigre”, e seu trabalho está aí, mas muito do que ele colocou no kernel do Linux foi aprendido em campo, enquanto a coisa ia acontecendo.
Fica evidente que ele tem muito mais bom senso que a maioria dos porta-vozes do software livre. Por exemplo: ao contrário de Stallman, que prega que todo software deveria ser livre e ponto, Linus deixa claro que o direito do programador de fazer o que bem entender com o fruto do seu trabalho (inclusive patenteá-lo, se quiser) está acima disto.
Correndo o risco de abalar os defensores da “meritocracia”, não há como deixar de notar a relação entre esta coerência/serenidade e o fato de ele ser um cara resolvido, casado, pai de família, etc., em oposição ao estereótipo comumente atribuído aos desenvolvedores UNIX. Afinal, é difícil querer dizer para os outros como o mundo deve funcionar se a sua vida pessoal (ou falta de) é um desastre.
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dom 14 dez 2003
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qua 10 dez 2003
Existe um episódio hilário do South Park sobre uma tal NAMBLA (North-American Man/Boy Love Association), uma associação que promoveria o “direito” dos homens americanos de terem relações sexuais com meninos.
Até aí normal (pelo menos para South Park). O que me deixou estupefato foi saber a NAMBLA existe mesmo no mundo real. O site dispensa comentários, e o único consolo é ver que tem mais gente preocupada com isso.
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ter 9 dez 2003
O natal esse ano promete: a gurizada não pode mais sentar no colo do Papai Noel, e, em represália, o bom velhinho resolveu roubar árvores. E o mais novo filme sobre o natal deixou os Estúdios Disney horrorizados (tem trailer, pra quem quiser).
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seg 8 dez 2003
Como qualquer nerd da minha idade, eu joguei uma boa dose de Super Mario nos anos 90. De fato, eu ainda queimo o parco tempo livre no surreal Warioware Inc.: Mega Microgame$ – mas isso é outro assunto.
O destaque é mesmo para o vídeo do cara que terminou o Super Mario Bros 3 em ONZE MINUTOS. Claro, ele usou as duas flautas para ir direto ao mundo 8, mas mesmo assim é muito rápido.
Isso sem falar que ele usa o truque de pisar em trocentos inimigos sem tocar o chão para ganhar vidas como se fossem CDs da America Online. E eu que achava que esse macete era algum trote criado pelas revistas de games…
(se estiver fora do ar, tente estes links alternativos)
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seg 1 dez 2003
O Último Segundo publicou uma reportagem muito interessante sobre as origens dos nomes de vias famosas de São Paulo, tais como a Paulista e a Rebouças.A matéria se baseou no livro “1001 ruas de São Paulo”, que parece uma boa pedida na linha “Guia dos Curiosos”.
E eu juro que a menção à Solidônio Leite (onde cresci) não influenciou meu julgamento. Bem, talvez o fato de alguém ficar fazendo perguntas sobre o passado na Vila Ema e voltar vivo tenha me impressionado um pouco…
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seg 1 dez 2003
Quando o assunto são os quadrinhos mainstream (seja super-heróis, “adulto”, mangá ou o que for), existem sites bons como o Omelete. Mas de vez em quando a gente quer fugir um pouco daquele melê que se vê sempre nas bancas – e, principalmente, da discussão meio repetitiva que sai disso.
Num desses momentos topei com o Liga Zine. É bem organizadinho, não foge muito do tom de sites como o Omelete, mas foca mais nos territórios inexplorados. Como no artigo “O Mundo Perdido dos Pulp Fiction“, que me levou até ele.
