Wikipedia é um vício. Ela remete aos tempos clássicos da web, onde a gente passava o tempo todo lendo textos pouco ilustrados, mas forrados de links, e passeava de um para outro até esquecer o que veio procurar. Hoje eu me dei conta disso quando estudava a maior palavra da língua inglesa – um assunto aparentemente mais controverso que o nosso anticonstitucionalissimamente.
Arquivos para maio, 2004
ter 25 mai 2004
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sex 21 mai 2004
Brincando na pouco conhecida página do Google de buscas MS, acabei encontrando este excelente documentário sobre o Microsoft Bob. Vale a pena perder uma meia hora aqui estudando um dos mais interessantes cases de produto perdedor da história. Foi fracasso comparável, talvez, ao IBM PCjr ou à introdução da Cherry Coke no Brasil.
Para quem não conhece, o Bob era uma tentativa da Microsoft de criar uma interface amigável para o Windows 3.1/95, que acompanhasse programas de produtividade pessoal (agenda, controle de finanças, etc.). As telas era a coisa mais kitsch do planeta – era impossível fazer algo de útil sem se distrair com a poluição visual – isto é, se você tivesse máquina sobrando para toda a pirotecnia.
Aparentemente a MS dedicou bastante energia ao assunto, pois o Bob deixou sua marca em todo lugar. A herança mais nefasta são os infames Assistentes do Office. O site mapeia os personagens que permaneceram nos produtos atuais e também mostra resquiços do Bob no MSN Messenger e outros softwares modernos.
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sex 14 mai 2004
À medida que a Geração Nintendo vai atravessando a casa dos 20 anos, sua produção cultural começa a aparecer. A revista Wired de fevereiro documentou uma excursão com o Minibosses, banda que se dedica a fazer remakes de músicas dos jogos do Nintendinho. Esse tipo de “banda de console” tem se popularizado – existem até as nacionais, como o Megadriver (cujo site tem todos os MP3).
Isso tudo já é meio carne-de-vaca, mas eu me surpreendi ao descobrir que, pra variar, os ingleses tinham algo a dizer: M.J. Hibbett & The Validators é um grupo britânico que, ao invés de recriar a glória MIDI dos consoles, se dedica aos micros ingleses de 8 bits (e a assuntos correlatos, como mostra a letra de Programming Is A Poetry For Our Time).
O site disponibiliza MP3 e vende os CDs (que, a £10 pesam um pouco, mas estou considerando). Está circulando um videoclip em flash da música Hey Hey 16K – na qual a banda se diverte com o “conflito de gerações”: os pais ingleses não gostavam da idéia de videogames, mas, pensando no potencial educativo, compravam os micrinhos – que acabavam sendo usados para jogos em 99% do tempo. O flash nem é tão interessante, mas é uma excelente apresentação da banda.
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ter 4 mai 2004
Segundo este artigo do Wired News, os gringos criaram uma comunidade que te ajuda a bolar desculpas para sair do trabalho cedo, dar um cambão num encontro, enfim, a contar aquelas mentiras brancas que mantêm o mundo girando.
Ainda no tema, o artigo menciona um software que simula barulho de trânsito, tempestades, enfim, todas as desculpas necessárias para encerrar a ligação.Fico imaginando o que a criatividade brazuca vai fazer quando essas coisas chegarem aqui.
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seg 3 mai 2004
Isso era pra ser um negócio nosso, eu fico até constrangido de ver na web, mas já ia ser digitalizado mesmo, então chutamos os baldes: eis os famigerados Videos Amadores Stone Age Scanners. Assista por conta e risco próprios.
Afinal, alguém tem que preencher a lacuna do falecido Pepa Filmes (cuja página não mostra mais os filmes). Não que a turma do Garret, grande amigo, não esteja tentando…
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seg 3 mai 2004
Em 1970 e guaraná-com-rolha, os drives de disquete eram caríssimos, em grande parte por usarem componentes (chips) customizados. Steve Wozniak, o inventor do Apple II, usou de alguma criatividade para transferir parte do trabalho do hardware para o software, e montou um drive com componentes de varejo.
Pulamos para 2004, e achamos um cidadão brasileiro que precisava de um plotter. Para quem não conhece, plotter é uma espécie de impressora que literalmente desenha à caneta sobre o papel, muito utilizado em engenharia. Este tipo de equipamento normalmente é caríssimo: além de ser produzido em baixa escala, utiliza uma mecânica muito específica para movimentar a caneta sobre o papel.
No melhor estilo Woz, o cara acabou construindo seu próprio plotter usando sucata de impressoras. Novamente, o software teve que ser mais esperto, mas um holandês entrou na parada e resolveu. Ainda estou de queixo caído.