Wikipedia é um vício. Ela remete aos tempos clássicos da web, onde a gente passava o tempo todo lendo textos pouco ilustrados, mas forrados de links, e passeava de um para outro até esquecer o que veio procurar. Hoje eu me dei conta disso quando estudava a maior palavra da língua inglesa – um assunto aparentemente mais controverso que o nosso anticonstitucionalissimamente.
Mês: maio 2004
Microsoft Bob
Brincando na pouco conhecida página do Google de buscas MS, acabei encontrando este excelente documentário sobre o Microsoft Bob. Vale a pena perder uma meia hora aqui estudando um dos mais interessantes cases de produto perdedor da história. Foi fracasso comparável, talvez, ao IBM PCjr ou à introdução da Cherry Coke no Brasil.
Para quem não conhece, o Bob era uma tentativa da Microsoft de criar uma interface amigável para o Windows 3.1/95, que acompanhasse programas de produtividade pessoal (agenda, controle de finanças, etc.). As telas era a coisa mais kitsch do planeta – era impossível fazer algo de útil sem se distrair com a poluição visual – isto é, se você tivesse máquina sobrando para toda a pirotecnia.
Aparentemente a MS dedicou bastante energia ao assunto, pois o Bob deixou sua marca em todo lugar. A herança mais nefasta são os infames Assistentes do Office. O site mapeia os personagens que permaneceram nos produtos atuais e também mostra resquiços do Bob no MSN Messenger e outros softwares modernos.
É pra ajudar no dever de casa…
À medida que a Geração Nintendo vai atravessando a casa dos 20 anos, sua produção cultural começa a aparecer. A revista Wired de fevereiro documentou uma excursão com o Minibosses, banda que se dedica a fazer remakes de músicas dos jogos do Nintendinho. Esse tipo de “banda de console” tem se popularizado – existem até as nacionais, como o Megadriver (cujo site tem todos os MP3).
Isso tudo já é meio carne-de-vaca, mas eu me surpreendi ao descobrir que, pra variar, os ingleses tinham algo a dizer: M.J. Hibbett & The Validators é um grupo britânico que, ao invés de recriar a glória MIDI dos consoles, se dedica aos micros ingleses de 8 bits (e a assuntos correlatos, como mostra a letra de Programming Is A Poetry For Our Time).
O site disponibiliza MP3 e vende os CDs (que, a £10 pesam um pouco, mas estou considerando). Está circulando um videoclip em flash da música Hey Hey 16K – na qual a banda se diverte com o “conflito de gerações”: os pais ingleses não gostavam da idéia de videogames, mas, pensando no potencial educativo, compravam os micrinhos – que acabavam sendo usados para jogos em 99% do tempo. O flash nem é tão interessante, mas é uma excelente apresentação da banda.
O clube da mentira
Segundo este artigo do Wired News, os gringos criaram uma comunidade que te ajuda a bolar desculpas para sair do trabalho cedo, dar um cambão num encontro, enfim, a contar aquelas mentiras brancas que mantêm o mundo girando.
Ainda no tema, o artigo menciona um software que simula barulho de trânsito, tempestades, enfim, todas as desculpas necessárias para encerrar a ligação.Fico imaginando o que a criatividade brazuca vai fazer quando essas coisas chegarem aqui.
Videos amadores Stone Age Scanners
Isso era pra ser um negócio nosso, eu fico até constrangido de ver na web, mas já ia ser digitalizado mesmo, então chutamos os baldes: eis os famigerados Videos Amadores Stone Age Scanners. Assista por conta e risco próprios.
Afinal, alguém tem que preencher a lacuna do falecido Pepa Filmes (cuja página não mostra mais os filmes). Não que a turma do Garret, grande amigo, não esteja tentando…
Plotter feito de sucata
Em 1970 e guaraná-com-rolha, os drives de disquete eram caríssimos, em grande parte por usarem componentes (chips) customizados. Steve Wozniak, o inventor do Apple II, usou de alguma criatividade para transferir parte do trabalho do hardware para o software, e montou um drive com componentes de varejo.
Pulamos para 2004, e achamos um cidadão brasileiro que precisava de um plotter. Para quem não conhece, plotter é uma espécie de impressora que literalmente desenha à caneta sobre o papel, muito utilizado em engenharia. Este tipo de equipamento normalmente é caríssimo: além de ser produzido em baixa escala, utiliza uma mecânica muito específica para movimentar a caneta sobre o papel.
No melhor estilo Woz, o cara acabou construindo seu próprio plotter usando sucata de impressoras. Novamente, o software teve que ser mais esperto, mas um holandês entrou na parada e resolveu. Ainda estou de queixo caído.

