Mês: setembro 2004

Red octane ignition 2.0 pad

Publicado por – 26/09/2004

O nome é cheio de firula, mas é merecido: o Ignition é o que há de melhor para jogar DDR, acabando com a desculpa de que “o tapete falhou”. Estou com ele há algumas semanas, e já dá pra escrever algo a respeito.

O vendedor de histórias

Publicado por – 22/09/2004

capa do livro O Vendedor de HistóriasJá tinha lido dois livros do autor (Jostein Gaarder): o famoso O Mundo de Sofia (que é um misto de romance e curso básico de história da filosofia), e o menos badalado, mas talvez mais interessante O Dia do Curinga. Este último era meu favorito pessoal, até que resolvi experimentar O Vendedor de Histórias – talvez o melhor livro que li este ano.

O narrador e personagem principal é uma pessoa extremamente imaginativa, capaz de criar e recordar histórias com a mesma intensidade e riqueza de detalhes que encontra nas memórias de fatos reais. Após algum tempo contando sua infância e adolescência, ele mostra a maneira pouco ortodoxa na qual aplicou tal dom para ganhar a vida, e as conseqüências disto.

Esta trama permite que várias outras histórias curtas sejam inclusas no meio da história principal. Algumas delas, claro, possuem ligação com a história principal, mas, independente disso, algumas delas já são geniais independente do conjunto, e justificariam o livro sozinhas.

O final, embora interessante, não empolgou como os finais das histórias mais curtas – o que não tira o mérito do livro. Não recomendo ler as sinopses – é muito mais divertido descobrir tudo à medida que vai acontecendo (isso devia ser com qualquer livro, mas parece que com esse os sites de venda insistem em querer revelar mais do que deveriam).

Bom cãozinho, mau cãozinho

Publicado por – 19/09/2004

Ótimo o livrinho Que Saudade, Snoopy!, lançado pela Conrad. São mais de 120 páginas de tiras do Snoopy a um preço que equivale a dois ou três dos mini-mangás atuais. O papel, a tradução, a impressão, e principalmente a seleção das tiras são todos de alto nível, gerando um excelente resultado.

Os elogios são em grande parte um contraponto ao fiasco Snoopy, eu te amo. Apesar do tema atrativo, a predileção por tiras muito antigas (que, com todo o sacrilégio que envolve falar mal do Schulz, eram bem amadoras e pouco lembram o Peanuts que conhecemos e amamos) e a limitação do tema acabam tornando o livro repetitivo e chato.

Fuja desse e fique com o primeiro. Não se deixe levar pelo marketing de “presente ideal para a pessoa amada” – eu mesmo comprei com essa intenção, mas o livro é tão ruim que eu resolvi provar o meu amor guardando ele pra mim…

Macanudo

Publicado por – 16/09/2004

clique para ver uma tira do MacanudoTive a oportunidade de conhecer o trabalho do argentino Ricardo Liniers Siri graças a um amigo que gentilmente me emprestou a coletânea Macanudo de Liniers, No. 1.

É uma das tiras mais agradáveis que li nos últimos tempos – tanto pelo desenho quanto pelas histórias e seus personagens inspirados, tais como “O senhor que traduz os títulos dos filmes estrangeiros” (e seu dicionário com todas as setenta e seis palavras do idioma nacional) até “Z-25, o robô sensível”. Isso sem falar nos duendes e pinguins – nunca imaginei o quanto essses dois grupos se prestavam ao questionamento existencial e sociológico.

Infelizmente a coletânea é difícil de achar por aqui (embora eu esteja a fim de tentar esse site). E mesmo assim só existe em castelhano – o que não é uma barreira, mas afasta leitores casuais. Uma dica: o jornal argentino La Nación publica a tira diariamente, e permite recebê-la por e-mail. Basta clicar em registrarse, e, na última tela, procurar por Liniers na seção “Humor” (também estão disponíveis Maitena e outros, tudo grátis como a Internet deve ser).

Ensaio Sobre a Cegueira (e uma espetada no Alan Moore)

Publicado por – 09/09/2004

Já que confesso os filmes que assisto tardiamente, aproveito para mencionar Ensaio Sobre a Cegueira, que só li agora.Sem grandes pretensões, este relato de uma cidade na qual vários habitantes são acometidos de uma cegueira misteriosa é interessante e justifica a leitura.

O autor é criticado por seu estilo que substitui os diálogos por longos parágrafos onde o narrador assume o “tom” de quem está falando.Não tive problemas com isso – ou, ao menos, não foram nada comparados aos que eu tive com o chatérrimo Voz do Fogo, que usa um artifício semelhante para tentar colocar o leitor dentro da cabeça de um homem das cavernas mentalmente debilitado. Este livro me levou a dois sacrilégios: falar mal do autor (Alan Moore) e parar de ler um livro antes do final.

Asperger, a vida, o universo e tudo mais

Publicado por – 04/09/2004

capa de O Estranho Caso do Cachorro MortoNunca me decepcionei com as resenhas de livros do Joel Spolsky. Mas o assunto costuma ser o processo de desenvolvimento de software, o que me deixou supreso ao ler seu comentário a respeito de O Estranho Caso do Cachorro Morto (bem, talvez nem tão surpreso assim, já que ele é o único outro desenvolvedor que eu conheço que cita Gilmore Girls do nada).

O narrador/personagem principal é um jovem portador da Síndrome de Asperger, uma forma muito particular de autismo cujos sintomas incluem uma dificuldade em interpretar linguagem corporal e facial – geralmente sem prejuízo da capacidade intelectual. O ponto de partida é sua tentativa de encontrar o assassino do tal cachorro, o que o leva a descobertas muito mais comprometedoras sobre a vizinhança que o cerca.

Tal descrição pode dar a falsa ilusão de que é apenas mais um drama ou romance policial, mas o livro vai muito além disso. É um convite a conhecer o mundo através de uma nova ótica – tão racional que desconhece a metáfora e é incapaz de recorrer à mentira. Uma visão objetiva, mas não desprovida de sentimentos, que analisa uma simples viagem de metrô e a mais complexa crise conjugal com o mesmo rigor científico, numa tentativa diligente de encontrar ordem no caos que nós chamamos de mundo.

capa de O Guia do Mochileiro Das GaláxiasO Guia do Mochileiro das Galáxias é um clássico da ficção científica, meio antigo até, mas cuja edição nacional é recente. Já não leio este gênero há um bom tempo, mas valeu a pena abrir uma exceção, pois o livro é realmente fantástico. Não dá pra falar muito sem estragar surpresas, mas basta dizer que, ao contrário da maioria dos autores de FC (que se levam mais a sério do que merecem), Douglas Adams expõe suas sacadas não como uma tentativa frágil de sistematizar o mundo, mas sim como o que são: excelentes sacadas.

No final, fica mais do que justificada a enorme quantidade de referências a ele na web (desde a relação entre peixes e o tradutor do AltaVista até o resultado misterioso da calculadora do Google). A edição tem preço acessível, e a qualidade (papel, tradução) no geral não decepciona. É o prieiro de uma série (e não dá pra saber se os outros serão lançados), mas pode ser lido sozinho sem maiores problemas.

Lua de fel

Publicado por – 04/09/2004

cartaz do filme Lua de Fel, versão alemãNão sei o que me atraiu desta vez. Posso estar influenciado pela falta de filmes interessantes, pela maneira com que ele chegou a mim ou até mesmo pela relevância pessoal das questões abordadas. O que sei é que ainda estou encantado com Lua de Fel, filme lançado em 1992, mas que só vim a assistir no último feriado.

O diretor (Roman Polansky) trabalha temas diversos, girando principalmente em torno de relacionamentos que se esgotam, seja pela falta ou pelo excesso de ardor. O mais importante é que ele o faz fugindo dos lugares-comuns do gênero, e, principalmente, sem a previsibilidade e as lições de moral que invariavelmente estragam qualquer tentativa de abordar tais assuntos com seriedade.

É difícil falar muito sem estragar surpresas. Além disso, não quero privar ninguém do prazer que eu tive ao assisti-lo sem saber nada a respeito. Desta forma, vou apenas deixar como referência de algo que muito me agradou – o que, em se tratando de filmes, não tem sido fácil ultimamente.

Apenas um comentário: o título me pareceu uma daquelas armações pseudo-marqueteiras que tentam associar qualquer lançamento a algum sucesso recente – cito, como exemplo, O Vingador do Futuro e O Exterminador do Futuro, nos quais o “Futuro” pulou do roteiro para o título numa provável tentativa de capitalizar sobre algum outro filme, talvez De Volta para o Futuro (único dos três cujo título original menciona o futuro).

Felizmente foi engano meu: o filme é uma co-produção anglo-francesa, e embora o nome em inglês seja Bitter Moon, a distribuidora nacional fez a feliz opção pelo nome em francês (Lunes de Fiel), já que este também é o nome do livro que deu origem ao filme.