Mês: janeiro 2007

miniTruco, agora com Bluetooth

28 de janeiro de 2007

Aleluia, a versão Bluetooth do miniTruco finalmente está pronta, permitindo que até 4 pessoas joguem entre si (para quem não conhece, trata-se de um jogo gratuito e de código aberto para celulares que suportam Java).

Não tive muita chance de testar fora do emulador, então imagino que vão aparecer problemas aqui e ali. Como de costume, fico no aguardo para ajustar o que for necessário (e possível, já que um semestre difícil se aproxima).

Os desenvolvedores não devem deixar de consultar a documentação, que agora conta com alguns diagramas e uma descrição básica da arquitetura do jogo. Outra melhoria: as bibliotecas e ferramentas necessárias para compilar o código agora fazem parte da instalação, facilitando muito para quem quer colocar a mão na massa.

Gostaria de agradecer pelos elogios, críticas, sugestões, enfim, pelo indispensável feedback. Não dá para responder pessoalmente a todos os comentários e e-mails, mas cada um é lido e analisado com carinho.

Fico feliz ao constatar a popularidade do jogo: apenas no boca-a-boca (e no Google, claro) já superou a casa dos 1000 downloads por mês! Dá vontade de viver disso…

Dois “chips” GSM no mesmo celular

21 de janeiro de 2007

Sim, é possível usar dois chips no mesmo celular, através de um adaptador que, além de acomodar os dois chips, habilita no aparelho um programa para a seleção do chip a ser usado. Dá um certo trabalho (conforme o caso), justificando a receita de bolo abaixo.

Em telefonia celular GSM, o nome técnico do que nós chamamos de “chip” é SIM Card. Adaptadores que permitem usar dois SIM Cards num aparelho só são conhecidos como “Dual Sim Card Adapter”. Com estas informações fica mais fácil encontrar o adaptador (por exemplo, buscando por “dual sim” no Mercado Livre). Os preços hoje giram em torno de R$ 50 (nos EUA, US$ 15 é um valor comum).

Existem (até onde sei) dois tipos de adaptador. Os mais fáceis de usar são os que integram os dois chips em um “sanduíche”. Infelizmente, nem todos os celulares dispõem do espaço físico para encaixar o conjunto, o que levou ao surgimento de modelos em que você recorta a parte central do chip (que é o chip propriamente dito, o resto é só plástico) e encaixa no adaptador.

Recomendo o primeiro tipo (cortar o chip é trivial, mas requer um certo sangue-frio) – só é preciso verificar se o seu celular é compatível (os leilões dos adaptadores costumam listar os aparelhos que funcionam). O meu Nokia 6600 é um dos que não possuem a folga para o sanduíche, não me deixando muita escolha.

A operação de corte não é difícil: o adaptador vem com adesivos em forma de SIM Card, que têm o desenho do buraco. Você cola o adesivo, respira, evoca seus orixás e mete a tesoura na linha pontilhada. É quase indolor.

Depois de recortados, os chips são encaixados na placa, e uma presilha de metal é adaptada a ela. As fotos mostram o adaptador e a presilha, os chips recortados (já encaixados no adaptador) e o conjunto depois de encaixar a presilha (frente e verso):





Uma vez feito isso tudo, é só colocar no aparelho. Com o meu adaptador, aparece um programa “Aut”, que permite escolher entre os dois SIMs e configurar opções de exibição do nome do SIM/operadora e outros detalhes enigmáticos (o inglês dos menus só perde para o do folheto de instruções, como é comum em produtos chineses do gênero).

É importante notar que apenas um chip fica ativo por vez, i.e., para usar o outro é preciso alternar pelo menu. Esta operação faz um “soft reset” no celular (o que é rápido em telefones comuns, mas em smartphones chega a irritar um pouco), e as ligações para o chip que está inativo caem na caixa postal. O manual diz que é possível contornar isto programando o desvio de chamada (não experimentei).

Outra coisa importante: o adaptador não remove o “SIM Block” do seu celular, i.e., se você quer usar chips de operadoras distintas (como eu fiz) é preciso primeiro desvincular o celular da operadora (os detalhes legais/técnicos do desbloqueio dependem da operadora/marca/modelo – alguns permitem desbloqueio por código, mas faça por sua conta e risco). Regra geral: se algum dos chips não funciona de antemão no aparelho, o adaptador não resolve a situação.

Caso você queira reverter a operação (e usar os chips separadamente), o adaptador acompanha dois suportes plásticos. Basta encaixar neles os chips recortados e você pode usá-los como fazia antes (a menos, claro, do aspecto estético – meio indiferente, já que o chip fica o tempo todo dentro do aparelho).

Fiz a brincadeira motivado pelas tarifas da outra operadora (e, claro, pela experiência macabra). Mas imagino pelo menos duas aplicações populares: economizar em interurbano (quando a pessoa viaja muito entre duas cidades, usando um chip para cada operadora local) e ter um “telefone secreto” (já que, com as opções de display apropriadas, o único vestígio na interface é a opção “Aut”, enterrada no fundo dos menus do celular).

E o tecno-onanismo continua em alta

16 de janeiro de 2007

Depois do esquema feito-em-casa para fazer sexo remoto via XBox, o Boing Boing anuncia que começaram a vender acessórios nesta linha – não são para comunicação, mas sincronizam seus movimentos físicos com movimentos de personagens virtuais na tela.

Atendendo a meninos e meninas, o par Virtual Hole / Virtual Stick tem os nomes mais auto-explicativos que eu poderia imaginar.

Colocando o Nintendo DS na sua rede sem fio (ou: o diabo mora nos detalhes)

9 de janeiro de 2007

Uma das características mais legais do Nintendo DS (NDS) é a comunicação sem fio: você pode jogar pessoalmente contra os amigos, ou, através de uma rede Wi-Fi, desafiar pessoas do mundo todo. O sucesso do NDS com o público infantil no Japão garante um suprimento infindável de adversários – afinal, a produção de crianças japonesas não dá sinais de cansaço.

O objetivo deste post é ajudar aqueles que, como eu, querem aproveitar a rede sem fio de casa para jogar com o NDS – embora existam vários tutoriais para Linux e Windows ensinando a fazer isso, vale a pena mencinar dois detalhes me fizeram bater a cabeça um bom tempo. Se isso interessa, continue lendo.

Em redes sem fio, os dados costumam ser criptografados (codificados) para evitar o acesso não-autorizado. Grosso modo (os detalhes técnicos são cabeludos), esta criptografia pode ser feita usando o padrão WEP ou o WPA. O WEP é mais antigo, e, portanto, mais difundido (qualquer dispositivo sem fio funciona em redes WEP). No entanto, ele é bem menos seguro que o WPA – razão pela qual a minha rede doméstica usa WPA.

Infelizmente, o NDS só se conecta em redes WEP. Como eu não queria baixar a segurança das máquinas aqui de casa, resolvi criar uma rede alternativa em uma máquina com Linux (que já se pluga na minha rede atual), apenas para o DS entrar. E aí é que entram os detalhes mencionados, a saber:

1) Fixar a Velocidade em 1MBps ou 2MBps

As diferenças entre os dispositivos, aliadas às interferências (causadas por aparelhos externos) fazem com que a velocidade de uma rede sem fio varie bastante. Isso costuma acontecer automaticamente com PCs, palmtops e roteadores, mas o NDS parece não suportar muito bem esse tipo de flutuação.

Eu passei um bom tempo tentando me conectar com a rede, o que só deu certo quando “chumbei” a velocidade da mesma. Nos roteadores WiFi isso costuma ser uma opção chamada “Transmission Rate”, que deve ser setada em 1MBps ou 2MBps. Como eu estava usando o Linux, a solução é setar o parâmetro “rate” da placa, i.e.:

iwconfig ath0 rate 2M

onde ath0 é minha placa de rede wi-fi, e 2M é a velocidade (2MBps).

2) Chave WEP tem que ser SHARED

Essa dica até que não é tão difícil encontrar – o problema foi descobrir como configurar esta opção no Linux. Algumas placas suportam esse setting direto no parâmetro “mode” (que determina o tipo de autenticação) do iwconfig, i.e.,:

iwconfig ath0 mode shared

A minha (D-Link DWL-510) não ia nem a pau, até que descobri que esta configuração deve ser feita via iwpriv, i.e.:

iwpriv ath0 authmode 2

As duas particularidades podem ser confirmadas em fóruns da Nintendo (aqui e aqui). Configure a sua rede e boa diversão!

Para cortar o barulho da ventoinha, corte a voltagem

8 de janeiro de 2007

Como um nerd que se preza, eu tenho um “servidorzinho” em casa. Após uma troca de ventoinha da CPU (Pentium III), me deparei com um problema muito chato: barulho.

Depois de procurar inutilmente uma ventoinha de maior qualidade (só encontrei para para CPUs/soquetes mais novos), me deparei com um hack meio assustador, mas que parecia fazer sentido (para um processador relativamente termo-eficiente como este): mudar a voltagem da ventoinha de 12V para 5V, diminuindo a rotação, e, por conseqüência, o barulho.

O mapa da mina está neste post do fórum Guia Do Hardware.Net – essencialmente você tem que remover os fios +12V (vermelho) e GND (preto) do conector que liga a ventoinha à placa-mãe, e ligá-los a um dos conectores de força sobressalentes dos drives, usando os fios de mesmas cores (já que, nestes conectores, vermelho significa +5V).

Dica: eu peguei uma ventoinha bem velha (daquelas que ligam nos conectores de força e não no conector de ventoinha da placa-mãe) e aproveitei o conector de força macho dela para ligar no fêmea da fonte do micro.

O resultado é que o barulho da ventoinha praticamente cessou, e o aumento de temperatura foi desprezível: subiu de 34 para 38 graus em situação normal. Com carga alta, chega a 45 (não medi antes da mudança, pena), o que está ainda bem abaixo do máximo recomendado para a CPU.

Claro que esses números variam de caso para caso, e é bom conferir em algum lugar confiável (ex.: The Heatsink Guide) a temperatura máxima da sua CPU, verificando que ela não seja atingida, especialmente em situações de carga alta (eu usei o cpuload para testar no Linux). Efeito colateral: mesmo mantendo o fio do sensor conectado, ele não dá mais a velocidade de rotação – mas isso não fez a menor falta.

DISCLAIMER: Faça por sua conta e risco. Não me responsabilizo por nada se a sua CPU explodir ou se o seu condomínio virar o novo Edifício Joelma. Mas fazendo em CPUs não muito agressivas (e que não estejam overclocked), e conferindo as pinagens corretamente (consulte as do *seu* equipamento), a modificação deve funcionar a contento.

Golpe 2007

3 de janeiro de 2007

Para fechar o ano e começar novos projetos, resolvemos atualizar o Golpe (o Super Trunfo dos Políticos Brasileiros) com os dados pós-eleições.

Não vamos ficar atualizando o jogo a cada pleito – mas a licença Creative Commons permite que qualquer um o faça. Se alguém quiser as fotos/planilha/script originais para fazer isso de forma mais fácil, eu deixei aqui (11MB, usem por conta e risco).

Feliz 2007 a todos!