Arquivos para agosto, 2007

Não sei como até hoje nunca falei de Penny Arcade, que é praticamente o pai dos webcomics. Foi um dos primeiros a sair com regularidade, e também um dos pioneiros em atingir independência econômica – de certa forma sacramentando o modelo baseado em propaganda e venda de produtos promocionais (eles até fazem caridade e promovem um evento de games).

Games, aliás, são a base do dia-a-dia de Gabe e Tycho, os personagens politicamente incorretos que fazem boa parte das suas tiradas em cima dos mais diversos títulos, consoles e personagens da indústria, sem distinção de época ou de público. Também brincam com coisas populares na Web e o que mais vier na cabeça.

Na maior parte do tempo não há seqüência, pois a base são as gags rápidas. Isto permite a leitura em qualquer ordem, uma característica rara no meio. É curioso notar que os personagens acabam aparecendo em webcomics de diversos outros autores, tamanha a popularidade – mais do que é merecida, pois o conteúdo não decepciona – ainda que seja, em boa parte, humor para nerds.

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striptease.pngParece que preto-e-branco é o novo preto: Striptease é mais um webcomic que dispensa o colorido, mas sem abrir mão da qualidade.

No início, o quadrinho se resume a Max, um ilustrador de histórias em quadrinhos. Este meta-argumento rapidamente evolui para incluir um elenco de personagens bastante rico, no nível de um Questionable Content. A arte não começa ruim, mas também vai melhorando com o tempo, o que é meio que regra nesse formato.

Tanto o traço quanto a ambientação lembram um pouco It’s Walky! (predecessor de Shortpacked!, que eu comento outro dia), mas os personagens são bem menos bidimensionais, se revelando e crescendo conforme a trama se desenrola. Depois de um certo ponto, é simplesmente impossível parar de ler.

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Continuando a falar de quadrinhos online que eu tenho lido, Girly é outro que vale acompanhar desde o início. A arte tem forte influência de mangá, e como o já mencionado Sam and Fuzzy, resiste à colorização, embora algumas tiras recentes tenham feito experiências neste território.

A história é um pouco solta: Winter, uma moça motivada por ter uma “vida de aventuras”, decide que Otra será sua parceira (mais ainda: sua coadjuvante) nisso – quer queira, quer não. Esta última, mais apegada à realidade (tanto quanto se pode ser num lugar como Cute Town), acaba descobrindo sentimentos que levam esta relação ainda além do que Winter supnha.

Um tantinho melodramático, mas com bom ritmo e constantemente ilustrado por uma galeria incessante de personagens que oscilam entre o profundo e o ridículo – muitas vezes no mesmo quadrinho. A narrativa vai se montando através dos personagens, o que mantém o interesse e puxa a recomendação.

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Para compensar a longa ausência (motivada por juntar um emprego muito bacana à tradicionalmente enroscada USP), resolvi postar nesta semana uma série com webcomics que eu ando lendo (e que não tenha comentado anteriormente).

E vale a pena começar com Sam and Fuzzy. É difícil classificar em um gênero: o contraste entre Sam, o cara sossegado, e Fuzzy, a criatura que parece um bichinho, mas age como gente que age como bicho é o que dá o tom nos primeiros arcos. Mas novos personagens vão surgindo, e o cenário vai do táxi dirigido pelos personagens-título ao mundo das gravadoras e artistas, passando, claro, por hordas e hordas de ninjas, girando em torno do tripé aventura/drama/comédia.

A arte é um espetáculo: num mundo de possibilidades ilimitadas para cores eletrônicas, ela é essencialmente calcada no preto-e-branco. Não sei se a idéia era reforçar esse lance dos contrastes, ou se foi simplesmente uma escolha estética, mas o fato é que definitivamente funciona. O site não fica atrás: todo trabalhado em tons de cinza, torna o conjunto um deleite para os olhos, um feito que, sem o uso de cores, é para poucos.

Recomendo começar pelo link para novos leitores, e, dali, seguir a sugestão do autor de pular para NooseHead, o quarto arco. Eu fiz isso, e, ao terminar, fui para o segundo, que estou seguindo satisfeito.

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