Nego fala muito do Oscar Niemeyer, mas eu fico pensando se ele teve mais influência visual sobre a minha vida do que Susan Kare, a ilustradora que desenhou praticamente todas as interfaces gráficas do mundo (como comentei no passado).
A Wired deste mês revelou um lance interessante: a moça agora está vivendo de desenhar presentinhos (gifts) do Facebook (negócio que tem tudo para ser como os ringtones: infinito enquanto durar). O artigo é curto, mas interessante.
OpenID é uma tecnologia que permite usar um único login para sites de diferentes empresas, gerenciando quais têm acesso a quais informações suas.
O maior diferencial é que, ao invés de confiar sua identidade a uma única entidade/empresa (como faz o semi-finado Passport), você escolhe um provedor de identidade para esta tarefa.
Você também pode ser seu próprio provedor de identidade: basta ter um endereço próprio na web. Vendo que os sites que suportam OpenID são cada dia mais numerosos, resolvi experimentar o phpmyopenid – que transforma qualquer site que rode PHP em um provedor.
Na teoria você baixa, descompacta, joga a pasta no servidor, chama a página de configuração e em cinco minutinhos está tudo configurado. Na prática eu apanhei em alguns pontos, que vale a pena publicar:
Um bom começo é seguir instruções do Carsten Pötter, mas não saia mudando as permissões como ele diz – no meu servidor o PHP nem roda se você fizer desse jeito.
Tive o problema com a mensagem “Missing expected authorization header”, do qual que ele fala na seção “troubleshooting” destas instruções. A solução apontada acesso ssh ao servidor e boa-vontade com a linha de comando. Meros mortais: baixem este arquivo, renomeiem para “.htaccess” (sem as aspas e sem o .txt no final) e subam para a pasta phpmyopenid no servidor.
Registrei a identidade chester.blog.br, mas os links no final (que devem ser inseridos na página-índice do site) apontavam para www.chester.blog.br. Fui tentar mexer e nada mais funcionava. Resumo: aceite os links do jeito que ele te passa, mesmo que a identidade desejada seja sem www e os links tenham www.
O mais importante: na hora de testar, todo mundo recomenda o teste do site OpenID Enabled. O problema é que a bateria de testes do primeiro link tem toda uma ordem e procedimento para ser executada – senão você pode achar que o seu provider pessoal não está funcionando, quando na verdade ele está. Siga essa receita de bolo que os testes irão dar certo.
UPDATE: A experiência é divertida, mas não permite gerenciar muito como as informações serão usadas por cada profile. Uma alternativa melhor (e que só evidencia a simplicidade do OpenID) é se cadastrar num provedor de autenticação como o MyOpenID e delegar a autenticação a partir do seu site/blog. Com isso você junta o benefício de ser identificado por sua URL com as vantagens que um site mais completo pode oferecer.
Way Lay é o site que reúne os quadrinhos, cartuns e afins de Carol Lay.
Já na biografia ela mostra como domina (a meu ver) esse lance de abrigar um conceito em uma única página de quadrinhos, sem necessariamente explicitar o mesmo. A série Story Minutes se baseia nesta fórmula, abrindo mão de uma temática definida ou personagens fixos.
A maior vantagem para o leitor é a não-continuidade: salvo pequenas referências ou séries bem limitadas, cada página é uma história completa. Eu até incentivo ler de trás pra frente, ou começar da metade, pois as primeiras tiras parecem ser mais pensadas para papel que para a web – a qualidade no geral é boa, mas a legibilidade fica prejudicada.
Mesmo as mais novas não chegam em 100% da resolução merecida (possivelmente porque a autora vive de vender os originais), mas o leitor já não sofre tanto. E cada parte do site revela uma nova faceta do trabalho dela – juntando isso ao arquivo com centenas de story minutes, dá pra perder um tempão.
Longe de mim adicionar mais barulho à cacofonia que este filme gerou antes e depois da estréia – esse post é só pra falar três coisas rápidas:
A questão do vazamento é complicada. Pouco importa quanta bilheteria o filme gere: os produtores sempre vão achar que podiam ter tido mais público sem a pirataria, e a geração internet vai se entrincheirar no fato de que, sem o burburinho, tantos outros sequer ouviriam falar do filme. Sem o recurso da realidade alternativa, jamais saberemos, logo, guardo minha opinião para mim.
Um subproduto previsível do filme é que a chamada “blogsfera policial” deve entrar em evidência. Eu leio esporadicamente o Diário de um PM, que julgo de bom gosto, mas quem discordar ainda encontra uma respeitável lista de links para outros blogs do gênero.
Como eu não sou Ministro da Cultura nem da Justiça, não preciso usar de hipocrisia e fingir que só vi o filme essa semana (até porque hipocrisia vai na contramão do espírito do mesmo). De qualquer forma, hoje eu prestei contas com os produtores – e valeu a pena:
10/10 (Quarta) e 11/10 (Quinta): Fechamento Gastronômico
O trabalho e as últimas reuniões nos deixaram tempo “apenas” para a gastronomia. Na quarta o Leon nos levou ao Bloemendal – um casarão estilo medieval no topo de uma montanha ao norte da cidade (não é longe, coisa de meia hora de carro) que dá um panorama da cidade comparável ao que você tem da Table Mountain (mas com temperaturas muito mais amenas). Dando uma volta nós achamos uns aparelhos como o que o Allen experimentou na foto ao lado.
O buffet inclui vários pratos típicos, incluindo alguns tipos de potjiekos – misturas de carne preparadas em panelões (os potjie). A variedade que experimentamos era feita com molho branco e frutos do mar (uma variedade mais rara e delicada, que justifica a visita ao local). O vinho é obrigatório, pois a carta inclui vários vinhedos da região (incluindo o próprio da casa).
O jantar da quinta foi no La Masseria, um restaurante italiano. O Rohan atenciosamente nos deu três opções, e, apesar das outras serem mais no estilo sul-africano, eu dei o voto de minerva que escolheu esta – por mais que eu quisesse aproveitar as comidas típicas, achei sensato tentar uma refeição menos exótica antes de um longo vôo.
Nos demos bem: o luga é um dos edifícios mais antigos do país (existe pelo menos desde 1620), e, como o lugar do dia anterior, também tem ótima paisagem e vinhos.
Mais ainda: a comida italiana não fica devendo nada aos melhores italianos paulistanos – palavra de filho de italiana. E a quinta estava fadada a ser um dia não-sul-africano mesmo, pois o happy hour que precedeu este jantar foi no Buena Vista Social Cafe, que – adivinhe – aposta nos drinks cubanos.
E assim se encerrou esta viagem que, além dos objetivos de trabalho (que não cabem aqui), me deu a oportunidade de conhecer um pouco melhor este país e seu povo – cuja receptividade e disposição para superar as dificuldades do passado lembram o nosso e merecem ser registrados. E espero que esta série tenha ajudado a repassar esta experiência e, quem sabe, inspirar as pessoas a conhecer mais.
[And a final thank you note to all the new friends I made on the SWAT Team, who kindly took me to all the wonderful places mentioned. Hope you guys are as excited with South Africa reaching the Rugby World Cup final as we were with the wondeful time spend there. Thanks!]
Após mais de uma semana convivendo com a Table Mountain (para quem não leu: o nome se deve ao visual do topo coberto pelas nuvens), chegou a hora de subir ela. O dia estava um pouco nublado, mas era a única oportunidade, então o Jacques e o Tyrone enfrentaram o frio para nos levar.
Você vai de carro por uma estrada que circunda a montanha, e que termina num um ponto que já é relativamente alto (302m acima do nível do mar, suficiente para algumas belas fotografias). Dali tem a opção de ir de bondinho (“cable car”) ou subir por uma trilha – que começava com uma escadainha de pedras, e dali eu não sei, pois fomos de bondinho.
E que bondinho! Não é preciso se preocupar para conseguir um bom lugar (como no Pão de Açúcar) porque ele gira lentamente enquanto sobe, assim todo mundo tem uma boa visão em um momento ou outro.
Sobre o topo da montanha não tem muito o que dizer, é o tipo de coisa que tem que ser vista (as fotografias serão publicadas, tenham fé). Conselho: se agasalhe tanto quanto puder (o capuz é indispensável). Se já ventava lá embaixo, imagina na altura das nuvens. Brrrr.
Lá em cima tem um lugar pra tomar um necessário chocolate quente, e uma loja de lembrancinhas que eu recomendo fortemente.
O jantar foi no Panama Jack’s, um restaurante no porto cujas atrações são os peixes vivos (lagostas e abalones, entre outros), que ficam num tanque no fundo e são abatidos na hora. Fomos surpreendidos por uma garçonete de feições asiáticas que, ao perceber que o David e o Allen eram chineses (de início ela tinha chutado que eram japoneses – compreensivel, já que o David, em particular, parece mais japonês que chinês) começou a falar com os caras em chinês, o que tornou o jantar ainda mais divertido e multicultural.
Eu passei a lagosta, mas experimentei o abalone (que tem aquele gosto básico de nada que todo molusco tem), peixe-espada (bom) e um ou outro peixinho não-identificado dos pratos alheios – incluindo uma pimenta insanamente forte, que faz você sentir o gosto em partes da boca e garganta que nem sabia que tinha. É um lugar relativamente caro (e os pratos vivos são mais caros ainda), mas o câmbio amigo e a qualidade da comida compensam largamente.
Um bônus simpático: o lugar tem postais grátis, como tantos outros em qualquer lugar. Mas se você escrever e endereçar o postal na hora, eles enviam pra você, gratuitamente e sem complicação. Sim, inclusive pro Brasil.
08/10 (Segunda) – Fatos da África do Sul: Idioma, Racismo e Apartheid
Esse dia foi puro trabalho, então aproveito para falar de dois assuntos muito requisitados no meu e-mail desde que esta série começou:
Idioma:
A África do Sul tem 11 idiomas oficiais. Não vou entrar em detalhes (tem informaçãoabundante na Internet), mas a boa notícia para os viajantes é que em cidades grandes como Cape Town praticamente todo mundo fala inglês. Isso eu comprovei na prática: é quase impossível encontrar placas, outdoors ou cartazes em outros idiomas, e qualquer um na rua que você aborda arranha um básico pelo menos.
Claro que a situação muda um pouco longe dos centros urbanos, por questões culturais. Por exemplo, em cidades como a já mencionada Stellenbosch você encontra mais cartazes em afrikaans (ou africânder, a língua dos colonizadores europeus), assim como o Zulu, Xhosa e outros idiomas nativos ficam mais proeminentes em outras regiões (segundo depoimentos, não pude conferir pessoalmente). Mas suas chances com o inglês são boas em qualquer lugar.
Resumão da história oficial: até o início dos anos 90, o país vivia sob um regime que, sob o pretexto de proteger a minoria branca, efetivamente estabelecia sua supremacia, privando a população negra dos direitos mais fundamentais. Em 1990 o regime foi abolido em caráter administrativo, e em 1994 promulgou-se a constituição atual, tida como uma das mais liberais da atualidade em termos de liberdade de expressão e de garantia dos direitos do cidadão, independente de sua etnia.
Quando criei coragem para abordar este tema com os sul-africanos, minha primeira surpresa foi perceber que ele não é exatamente um tabu. As pessoas falam do assunto com espantosa naturalidade – talvez pelo fato de praticamente todo estrangeiro perguntar, cedo ou tarde. Não há qualquer embaraço em discutir etnias – só é bom lembrar que, assim como nos EUA (e ao contrário daqui), o termo nigger (negro) tem um caráter um pouco pejorativo, sendo black a expressão politcamente correta.
O discurso é relativamente uniforme: o pessoal entre os 20 e 40 (i.e., os que eram jovens quando a mudança ocorreu, em muitos casos ajudando no processo) têm plena convicção de que o apartheid é coisa do passado, e de que o racismo é um sentimento detestável. Não conversei com gente mais jovem, mas a observação e os depoimentos da geração X me levam a crer que para os adolescentes (de qualquer etnia) o apartheid faz tanto sentido quanto o telefone de disco ou o Menudo.
Um fato curioso é que desde os anos 80 os sul-africanos de classe média/alta (particularmente os afrikaans) costumam passar um tempo no Reino Unido (creio que têm uma facilidade diplomática para isso). Uma boa parte dos meus colegas de trabalho fez isso, e é razoável crer que este costume ajudou a juventude branca (muito mais propensa a ter dinheiro para tanto) a se dar conta a realidade nefasta do regime.
Dizem que é possível encontrar “nacionalistas” (eufemismo para racistas) entre os afrikaans mais das antigas, mas a influência atual deles sobre o estado das coisas é mínima. O mesmo vale para os representantes da comuniade negra que temem que o esquecimento da história leve à sua proverbial repetição. Mas o primeiro grupo é extremamente velado (eu só soube de ouvir falar) e o segundo também tem alcance limitado, já que os sul-africanos no geral querem mais é virar logo de uma vez essa página vergonhosa da sua história.
A empresa onde trabalho (para fins de exemplo, afinal, passei bastante tempo da viagem lá) pertence a um grupo (NASPERS) que foi fundado por imigrantes europeus – e até há quem a acuse de se omitir durante o regime (embora ela jamais tenha se pronunciado de forma favorável). O que eu vi: ali trabalham brancos, negros, “coloridos” (que é como eles chamam os mestiços), indianos, enfim, gente de todas as etnias.
As disposições governamentais sobre igualdade de direitos são afixadas em vários lugares, e o inglês reina supremo (compreensivelmente incorporando termos dos outros idiomas aqui e ali), facilitando a comunicação. Ou seja, você vê que a diversidade é abraçada, e a coisa não parece ser forçada, ou para inglês ver.
A figura de Nelson Mandela é de fato tão representativa deste processo de mudança para os sul-africanos quanto para nós (talvez até mais). A visita a Robben Island, onde Mandela passou boa parte dos 28 anos em que esteve preso, é bastante popular entre os turistas. Num menor grau, Desmond Tutu (clérgico que lutou contra o regime e popularizou o termo “Rainbow Nation” para designar o país) e, com um pouco mais de controvérsia, De Klerk (presidente branco que levou a cabo o desmantelamento do apartheid) também são lembrados quando o assunto surge.
Isso não quer dizer que a vida para os negros africanos seja um mar de rosas. As restrições de caráter econômico (que os impediam de atuar como empresários, ou nos ramos mais lucrativos da economia, ou nas terras mais férteis) deixaram uma herança de desigualdade socioeconômica, cujos reflexos são idênticos aos encontrados no Brasil: quanto mais economicamente privilegiado é o ambiente em que você se encontra, menor é a presença de negros.
Um ponto muito positivo (na minha visão) é que as ações sociais e governamentais pendem mais para o investimento no desenvolvimento socioeconômico das comunidades (e da nação como um todo) e para a educação do que para a polêmica ação afirmativa – não que esta não exista, mas não é vendida como a principal ferramenta de inclusão (como ocorreu nos EUA e agora no Brasil).
08/10 (Domingo) – Feira, universidades, rugby e bossa nova (bônus: mais DDR)
O Leo, coitado, perdeu um jogo da Copa do Mundo de Rugby, no qual a África do Sul enfrentou Fiji (não exatamente um favorito, mas deu um susto) para nos apresentar mais um pouco da província do Cabo.
O passeio começou pela Green Point Fair. É uma feira livre cujo nome deriva do fato de ser realizada ao lado do Green Point Stadium – ou melhor, ao lado do canteiro de obras no qual o estádio se transformou, já que está sendo literalmente refeito para a copa de 2007 2010 (valeu, Fipi).
A feira acontece aos domingos, e tem como público alvo os turistas. O diálogo é sempre o mesmo: você pergunta o preço, o cara diz, você faz cara feia, ele pergunta quanto você quer pagar, você responde com uns 30% do valor original, ele diz que é impossível e conta uma história triste, você insiste até fechar entre 30% e 50%. Um dos colegas fez uma bandeira baixar de R200 para R60 – e ainda achou que dava pra negociar mais.
Além disso tem muita enganação. Ex.: você encontra vários caras vendendo dente de leão, só que o comércio desse tipo de artigo é muito restrito, praticamente proibido (para coibir a caça não-regulada). Os dentes vendidos lá são ossos comuns (do que quer que seja), polidos para ficar no formato.
Uma curiosidade é que a maior parte dos mascates da feira não é sul-africana, mas oriunda de outros países como Nigéria, Congo, Zâmbia e Zimbábue. É inevitável traçar paralelos entre o continente africano e o nosso país de dimensões continentais nesse aspecto, isto é, no comércio de rua como alternativa de subesitência para migrantes nas grandes cidades.
Pouco adepto da arte da pechincha (e mal-acostumado a usar cartão de crédito), não comprei praticamente nada. Seguimos para a praia de Camps Bay, a mesma em que jantamos na quinta. Com a luz do sol pudemos ver como é bonita e bem conservada. É uma pena que o clima estava insanamente frio, não havendo a mais remota possibilidade de entrar na água.
Comemos no bistrô do Mariner’s Wharf, que serve peixe recém-pescado em caixinhas de fast-food, mas com sabor diferenciado. Optei pelo Hike & Chips (merluza à milanesa com batata-frita, meu prato default em lugares desconhecidos por aqui), mas os mais chegados a frutos do mar podem pedir uma caixinha com um pouco de cada coisa. Você come olhando pra praia, embora no nosso caso a visão estivesse limitada pela lona fechada (por conta do frio).
Pra mim isso já valia como almoço, mas era só uma preparação: seguimos a leste para o município vizinho de Cape Town, Stellenbosh, cuja universidade alimenta uma rivalidade amigável com a Universidade de Cape Town, no melhor estilo USP/UNICAMP (com um detalhe cultural extra que eu elaboro outra hora).
Ambas as universidades têm campi magníficos, e, sem sugerir qualquer relação entre uma coisa e outra, não posso deixar de mencionar que não há universidades públicas na África do Sul. De qualquer forma, a visita aos campi foi rápida, pois nosso destino era o Spier, um vinhedo muito mais interessante que o que veio “de brinde” no safari (cujo nome nem guardei).
A degustação custa irrisórios R10 ou R20, conforme o menu escolhido. Fui neste último, e posso dizer que os vinhos eram bem melhores que os da degustação do dia anterior, particularmente os brancos (sim, a essas alturas o Chester abstêmio foi pro saco). Os preços são ridículos – uma garrafa relativamente cara sai por R50 (R$ 13,15).
O lugar não tem website, mas qualquer mapa de hotel te ajuda a localizar. Na dúvida, ele fica na estrada R310 – dessa vez não estou falando de 310 rands, e sim da sigla da estrada. Aqui todas as grandes avenidas e estradas possuem essas siglas (letra+número). Ajuda horrores (tanto que o Google Maps mostra as siglas).
A idéia era almoçar ali, mas estava tudo fechado – como eu disse, estava rolando um jogo da copa do mundo de rugby, e, a menos de pintar a rua e incomodar os outros com o barulho, os caras aqui páram tudo, como a gente faz na versão futebolística. Ainda bem que o Leo é nativo daquelas bandas, e achou um restaurante super bacana, o Bossa Nova – que só estava aberto porque tinha telão e um sistema de som bacana. Tradução: era o lugar ideal para assistir ao jogo (não no nosso caso, todos os lugares com boa visibilidade estavam ocupados).
Apesar do nome, é um restaurante africano normal, com comida africana normal, cujo almoço bem servido valeu como janta. No entanto, eu quis ir ao shopping à noite assim mesmo para, entre outras coisas, tirar uma revanche da máquina de DDR. Não foi a melhor performance da minha vida (estou fora de forma e destreinado), mas pelo menos fui até o final – e o André filmou tudo:
Chegou o tão esperado dia: fomos ao safari. Mais especifciamente, um foto-safari – a diferença básica é que você vai num jipe, e, ao invés de matar os bichos, tira foto deles. E por mais que este texto procure desmistificar os estereótipos, ir pra África e não ver um único animal selvagem também já é demais!
Tem mais de um lugar para fazer isso (procure/peça por “game reserve”). O pessoal daqui nos agendou com o Fairy Glen Game Reserve, que busca e devolve você no hotel – uma grande vantagem, já que a reserva fica a mais de 1h de carro do centro de Cape Town (e olha que essa é tida como a reserva mais próxima da cidade).
Você desembolsa R1330 (R$ 350), com direito ao café da manhã (você vai precisar) e ao almoço, com o safari entre eles. Na volta você passa por um vinhedo e pode fazer uma degustação gratuita de vinhos – também tinha uma loja de lembranças, mas o nosso motorista meio que pulou essa, sei lá o motivo.
Quando se fala de animais selvagens por aqui, menciona-se muito os Big Five, i.e., os cinco animais que, na época em que a matança de animais rolava solta, eram os mais difíceis de caçar: leão, leopardo, elefante, búfalo, e rinoceronte. Vimos os três últimos à solta (o rinoceronte chegou particularmente perto do veículo) e o leão (mais especificamente, uma leoa) por trás de uma cerca (não estou reclamando, é graças àquela cerca que estou aqui contando a história).
Além disso, vimos avestruzes (cuja carne, muito recomendada pelos locais, ainda não tive a oportunidade de experimentar), cervos e, para a minha surpresa, burros. Olha que coisa: o pessoal da reserva trouxe eles para que os leões tivessem o que caçar e comer (isso faria bem para eles), só que na última hora deram pra trás e os bichos ficaram lá.
A caça e a comercialização de extratos de animais (ex.: marfim, dentes de leão) não é mais permitida, por questões ambientais. Há quem defenda que isso só agrava o problema, alegando que a verba obtida com a caça/extração controladas (por exemplo, usando apenas marfim de elefantes mortos) poderia ser usada para ajudar na preservação. O problema é que sempre que liberam o comércio de marfim, nego sai barbarizando a elefantada. Homens…
Claro que o que interessa mesmo são as fotos e vídeos, mas a conexão aqui é perdedora ao extremo – nesse sentido a África do Sul está um pouco aquém de São Paulo. Pra ninguém passar vontade, aqui estão (provisoriamente) as fotos da viagem até agora (em 800×600, que pra web está mais que bom). Quando eu chegar em São Paulo boto num lugar/formato mais bacana (e subo os vídeos – tem um ou dois muito interessantes).
Falando em conectividade, a telefonia celular é difundida como a do Brasil – e os serviços são igualmente caros. Mas apesar do SMS custar cerca de R0.80 (R$ 0,23, caro como o nosso), a TV e as revistas parecem ter mais chamadas do tipo “mande um SMS com a palavra XXXXX para NNNNN” do que endereços de sites. E tem muitos serviços de bugigangas para o celular (notadamente wallpapers e putaria) que você compra por SMS. O roaming da TIM funciona, desde que o seu nome não seja Chester – neste caso, você desencana do celular por duas semanas.
O jantar foi no no Wimpy do já mencionado Canal Walk. Bem mais-ou-menos. E, estando no Canal Walk, foi inevitável jogar DDR novamente. Desta vez o shopping estava cheio, e na primeira música nego aplaudiu no final (sério). Pena que nas outras duas eu não me aguentava em pé, e não segurei a mesma onda. Não sei se considero sucesso ou fracasso, mas, enfim, deixei alguma impressão no continente.