Chester na África (I)

4 de outubro de 2007

Estou trabalhando no braço brasileiro da MIH, uma empresa sediada na África do Sul. Como a equipe é geograficamente dispersa (além de brasileiros e sul-africanos, temos chineses também), fomos convocados para um team building. Resultado: desde o último sábado eu estou na Cidade do Cabo (ou Cape Town, como chamamos aqui), e os próximos posts vão falar disso. Divirtam-se.

29/09 (Sábado) – Embarque

A rota São Paulo-Joanesburgo é a única que conecta o Brasil com a África do Sul, embora nenhuma das cidades seja capital de seu respectivo país. De fato, a África do Sul tem três capitais: Pretória (executiva), Bloemfontein (judicial) e a Cidade do Cabo (administrativa), e para alcançar esta última é necessário ir primeiro a Joanesburgo, o que totaliza umas 12h de vôo (ou 16h de estresse).

Eu trouxe alguns presentes para o pessoal daqui, incluindo duas garrafas de pinga (para que os meus colegas, mais experientes no universo etílico do que eu, pudessem preparar uma caipirinha) e alguns pacotes de café – ambos violando as regras do que podia ser importado. Achei que ia dar a maior treta na alfândega, mas os caras sequer passaram as malas pelo raio-x (que, de boa, parecia estar quebrado).

O maior susto foi um carregador do aeroporto em Joanesburgo que foi bastante incisivo na sua intenção de carregar nossas malas do terminal internacional ao nacional (tradução: se ele fosse um pouco mais rápido, eu acharia que era assalto). Ele não nos deu qualquer oportunidade de aceitar ou não a ajuda (não gosto disso) e passou metade do caminho falando sobre a fantástica gorjeta que iríamos dar a ele (detesto isso). Eu sou muito mão-aberta com gorjeta, mas odeio ser abordado desse jeito. Azar dele: a pouca quantia em moeda africana (Rand) que tínhamos não deu uma gorjeta exatamente incrível. Bem feito.

Um detalhe curioso: no terminal havia cachorros farejadores procurando drogas. Só que ao invés daqueles cachorrões que a gente vê nos filmes, era um cachorro com jeitão de vira-lata, pequeno, fofinho… não dá pra imaginar aquele primo do Snoopy trabalhando pra polícia. Fiquei com a impressão que ele só estava lá pra ver se alguém tremia na base e se entregava.

30/09 (Domingo) – Hotel, porto e esporas

Chegamos no hotel às 12h, destruídos, e dormimos até as 17h, quando nos encontramos com nossos colegas chineses: David e Allen. Eu não sabia, mas é comum o pessoal de TI da China adotar prenomes ocidentais, para facilitar a comunicação. Dado que eu sou o “Chester do Nascimento” no servidor de e-mails da empresa, não posso falar nada.

De qualquer forma, nosso chefe (que mora na África do Sul) nos levou ao Victoria & Alfred Waterfront, uma espécie de cidade histórica anexada ao porto. Ali fomos a uma cervejaria a céu aberto (não lembro o nome, mas vou voltar lá para tirar fotos, agora que tenho câmera). As boas opções eram a cerveja tradicional e uma variedade com limonada, mais suave (“the ladies’ option”, segundo meu chefe). Fui direto nessa, já que bebo quase que anualmente.

O vento começou a ficar forte (em Cape Town venta muito à noite), o que nos levou a buscar abrigo no shopping anexo ao Waterfront. Nele comemos no Spur (espora), uma lanchonete com um visual estilo velho oeste (que fica muito estranho quando o colorido africano se mistura com os temas indígenas), mas cuja comida poderia ser servida até com visual de cabaré, pois é excelente.

A costela era muito macia – em termos de textura, só perdia mesmo para a do Outback (embora o tempero sul-africano supere de longe o supostamente australiano). Quero ir lá novamente para provar o hamburger, que foi recomendado. Fechamos a noite na sorveteria da Häagen-Dazs, que dispensa apresentações.

11 Comentários em Chester na África (I)
  1. Tornado disse:

    Chester, continue essa série de posts sobre a África.
    Quero saber um pouco mais desse país.
    Ah, e vê se abre um álbum no Picasa só pra postar as fotos daí… quero ter alguma imagem característica do país, pra não ficar pensando que é só selva/deserto como a maioria pensa daqui, hahaha.

    Abraços!

    [Responder]

  2. Chester disse:

    Não se preocupe, essa série já tem vários capítulos no forno.

    As fotos eu devo subir quando der um respiro. Mas a selva aqui é muito parecida com o problema dos macacos nas ruas do Brasil… ;-)

    [Responder]

  3. Wilerson disse:

    A África é um continente, Tornado!

    [Responder]

  4. Tornado disse:

    Me referia à África do Sul.
    Pare de ser pedante! Só porque eu esqueci o “do Sul” ali…

    [Responder]

  5. Tati disse:

    Olá Chester!!Adorei a matéria.
    Gostaria que falasse mais sobre a saida do aeroporto internacional
    para o nacional em Joanesburgo, estou indo p/ Cape town passear, vou só
    e não falo ingles, sera que vou sofrer muito p/ fazer isso sozinha???

    [Responder]

  6. Chester disse:

    Tati,

    Que bom que você curtiu. Cape Town é um lugar muito bacana para passear. Inglês ajudaria um bocado, mas acho que com calma e planejamento dá pra fazer tudo. A troca de aeroportos vai ter três fases:

    1) Verificação do passaporte. Essa você vai achar fácil, pois todo mundo que chegar estará indo para lá. Se não me engano, você entra no terminal, caminha um pouco e desce uma escada, na qual é colocada em uma fila. Tinha uma moça orientando o pessoal sobre qual fila pegar, tenta arriscar um português com ela (mas não espere tratamento VIP: é um mar de gente lá, ela parecia cansada). Mantenha o passaporte em mãos. Provavelmente a pessoa que te atender só vai olhar pra você e pro passaporte, se perguntar algo é do tipo “where are you going?”, você responde Cape Town e boa.

    2) Triagem/Alfândega: durante o vôo vão te dar um papel pra preencher, no qual você vai declarar se trouxe alguma coisa proibida pela lei (se você vai só passear, não imagino que tenha problemas – eles encanam com coisas como bebidas em grande quantidade, produtos animais, armas, etc.). Aproveite este momento para esclarecer suas dúvidas com o membro da tripulação que estiver distribuindo os formulários (ou com algum outro).

    Continuando do item anterior: ao sair da verificação do passaporte, você segue em frente e pega sua bagagem na esteira. Um pouco pra frente da esteira, à direita, vai ter a fila para quem não tem nada a declarar. É onde 99% da galera vai – só quem realmente trouxe algo proibido (ou, possivelmente, gente escolhidas aleatoriamente) passa por uma rotina diferente. Mas é relax: além do que eu falei no texto, eu tinha um item complicado, que era o notebook da empresa (cujo valor ultrapassava o dos bens permitidos) mas a moça da triagem disse que tudo bem, pois eu não iria deixar ele na África do Sul.

    3) Troca de terminais – passando a alfândega com as suas coisas você está efetivamente desembarcando. Vai ter muita gente esperando passageiros que ficarão em Joanesburgo – o que não é o seu caso. Contorne pela esquerda e você sairá do teriminal. Siga a grande calçada (verá carros estacionados à sua direita e o terminal à esquerda), pareceu ser uns belos 200m, até o outro terminal, onde você vai embarcar de maneira semelhante ao que fez em São Paulo (check-in de bagagem, etc.). É quase certo que um carregador uniformizado vai se oferecer para levar sua bagagem – se você tiver alguns rands em mãos para uma gorgeta (dólares são igualmente razoáveis), pode ser uma boa idéia, pois ele te deixa na boca do embarque no outro terminal.

    Dicas/Sugestões:

    - Não sei se eles têm falantes de português em todos os pontos – mas quando cheguei vi vários passageiros falando o nosso idioma (alguns eram angolanos, outros não soube identificar), então não duvido que tenham.

    - Além do passaporte, mantenha o bilhete de embarque Joanesburgo-Cape Town em mãos – no pior dos casos, mostre ele para um funcionário e diga algo do tipo “help me getting there, please”.

    - Em Cape Town se identificar como brasileiro torna as pessoas automaticamente mais gentis – imagino que o mesmo valha para o aeroporto de Joanesburgo. Se eu voltasse lá hoje, iria fácil vestindo uma camiseta da seleção ;-)

    - Na ida a gente teve que pegar a bagagem e re-despachar, conforme dito acima. Na volta eles despacharam direto. Informe-se na hora do check-in nos dois casos (para não ficar plantada na esteira a toa nem correr o risco de perder sua bagagem).

    Espero ter ajudado. Bom passeio, e conte depois como foi!

    [Responder]

  7. Melissa disse:

    Você não sabe como esta resposta a Tati me ajudou!!!!
    Estou indo para Cape Town sozinha e nunca fiz uma viagem internacional sozinha…. Todas estas dicas do aeroporto foram muito boas!!!Tenho trauma… pois o aeroporto de Atlanta me deixou assim!!!
    Muito obrigada..

    [Responder]

  8. Chester disse:

    Melissa, que bom que foi útil. Eu nunca peguei avião para Atlanta, mas a experiência não é, nem de longe, o sufoco que o povo anda passando por lá. É muito mais parecido com o nosso esquema mesmo.

    Boa viagem!

    [Responder]

  9. Elcio disse:

    Ola Chester , tbem estou indo para Cape Town e suas informações foram tbem muito uteis, uma outra coisa coisa que queria perguntar é sobre vacinas, quais são necessárias para esta viajem ?

    abraços

    [Responder]

  10. Chester disse:

    Que bom que ajudou. Quando eu fui, bastava a vacina contra a febre amarela. Mas é bom conferir antes de sair!

    [Responder]

  11. Alcides disse:

    Queria apenas saber porque a Melissa fez essa referencia ao aeroporto de Atlanta. É que daqui a dois meses vou fazer conexão lá e fiquei preocupado. Agradeço por algum esclarecimento a respeito.

    [Responder]

Comentários

Comentários


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...