Mês: abril 2008

miniTruco 3.13 – Melhorando a estratégia e caçando bugs

29 de abril de 2008

O novo release do miniTruco tem como principal novidade uma estratégia Gasparotto ainda mais aperfeiçoada. O Sandro realmente caprichou nessa – quem quiser experimentar deve se certificar de escolhê-la no menu Opções.

Falando em estratégia, agora é possível usar a tecla “9″ a qualquer momento do jogo para saber quais são as estratégias usadas por cada jogador virtual (na verdade, isso já era possível na versão anterior, mas evitei a publicidade até ter certeza de que funcionaria sem problemas). No jogo via internet (GPRS) a mesma tecla mostra quais jogadores humanos estão em quais posições.

Aproveitei para ir atrás dos bugs que mais chateiam o pessoal: o ArrayIndexOutOfBounds que acontece em situações de truco, e o NullPointerException no fechamento de uma mão/rodada. O primeiro era um problema com uma das estratégias (que insistia em trucar fora de hora), que eu resolvi ignorando pedidos desse gênero, e o outro era um problema típico de aplicações multithread (erro primário: uma referência era modificadoa no meio de uma animação, e eu não havia tomado o cuidado de fazer uma cópia dela).

Se alguém tinha esses problemas e a versão atual resolveu (ou se não resolveu – essas mensagens são genéricas demais para um debug que preste), gostaria de saber (pode ser na lista de discussão, ou, para este caso particular, nos comentários deste post mesmo). Além dela, é importante salientar que existe uma área no Google Code específica para cadastrar bugs (e para verificar se os bugs já não estão cadastrados antes de reportá-los).

Obrigado pelo feedback!

Dance Dance Revolution Hottest Party

21 de abril de 2008

A última coisa que eu esperava era ver um jogo da série DDR no Nintendo Wii. Mas parando para pensar, os dois têm tudo a ver: o Wii se caracteriza por um controle pouco usual e por colocar a jogabilidade acima dos gráficos – e isso descreve bem o DDR (para quem não conhece, é aquela série de jogos em que você tem que pisar num tapete ou base de metal seguindo coreografia na tela, sempre em sincronia com a música que está tocando).

Os caras da Konami perceberam isso e lançaram o DDR Hottest Party para o Wii – e eu, que nem Wii tenho, acabei comprando o jogo e pegando um console emprestado. Uma das grandes novidades é que, além do tapete, você joga com o controle do Wii. Marcadores especiais (hand markers) dizem quando você deve mexer a mão direita (que segura o Wiimote) ou a esquerda (que segura o Numchuck).

Demora um pouquinho pra pegar – parece que o que conta é estar acelerando (ou desacelerando) quando o hand marker está na posição. Eu consegui melhores resultados dando uma “chicotada” no momento certo, mas tem gente que diz que o melhor é pensar nos controles como baquetas. Um bônus de estar com os controles na mão é poder usar o direcional de qualquer um deles para escolher as músicas/dificuldade.

A outra novidade são os gimmicks: a partir do nível Basic, cada música é “pentelhada” por um gimmick diferente. Por exemplo, o Foot Destructor é uma bolinha espinhenta – se você pisar nela, toma penalidade. Outro é o Double Stump: quando você pisa nesta seta, outra seta “escorrega” para baixo. O Foot Confuser (maldito) é uma setinha que vem girando e/ou dançando, e você tem que prestar atenção na posição (e não na orientação) pra saber onde pisar – e por aí vai.

Ambas as novidades são bem intuitivas, dando um molho extra tanto para iniciantes quanto para veteranos – mas dá pra desligar tudo e ficar com o DDR original. E falando nele, seus modos básicos, como o workout e o free play estão lá. As 26 músicas iniciais são todas novas (aliás, uma meia dúzia delas eu ouvi em aulas de Power Jump na academia), e você joga o Groove Circuit para liberar as outras 24 – das quais boa parte consiste em remixes de clássicos DDR (mas com novas coreografias). Parecem números tímidos quando se compara, por exemplo, com as cerca de 70 que os últimos DDRs do PS2 trazem, (ou com as 83 no DDR Universe no XBox 360), mas a qualidade do mix é indiscutível – e só de ser tudo novidade já vale.

No começo achei que tinham tirado o Lesson Mode (que meus amigos carinhosamente chamavam de “Srta. Miyagi”, em alusão à semelhança entre o método da mocinha e o “pintar cerca, lustrar carro” do filme). Na verdade, ele foi substituído por “Lesson By DJ”, uma música que apresenta os passos básicos (e já ensina a começar do jeito certo, sem voltar para o meio). A versão Wii fica devendo as opções online (particularmente em comparação com as do XBox/XBox 360, nas quais é possível até baixar músicas novas), mas o PS2 sempre viveu bem sem isso.

O maior balde de água fria mesmo foi perceber que não é possível usar tapetes de dança (pads) do PS2. Tentei duas marcas de adaptadores, sem sucesso (Gemini e CubeJoy – o último inclusive é vendido em alguns lugares como compatível com esta adaptação, o que comprovei não ser verdade). Os únicos pads compatíveis são os do DDR Mario Mix (o tapete do Wii é, na verdade, um tapete de GameCube). O pad original da Konami é um pouco melhor que os genéricos que a gente encontra por aqui – escorrega menos e parece ser mais durável – mas quem tem pads mais legais se frustra um pouco.

Tirando isso, é um jogaço. Seguem o teaser oficial e um cara dancando na E3, só para dar o gostinho:

Um Golpe mais leve

20 de abril de 2008

Mesmo depois de dois anos do lançamento ainda tem bastante gente interessada no Golpe, o Super Trunfo dos políticos brasileiros. Só entre o Internet Archive (hospedeiro oficial), o SuperDownloads e o Baixaki foram mais de 25 mil downloads – e isso apesar de ser um PDF de mais de 20MB.

Atendendo a vários pedidos, passei um filtro neste PDF, reduzindo-o a menos de 3MB. Com isso quem não pôde baixar por conta do tamanho agora tem a oportunidade – basta clicar aqui. Esta versão tem resolução mais do que suficiente para impressão doméstica – mas quem quiser imprimir em gráfica ainda pode pegar a versão anterior no Internet Archive, é só seguir o link.

Considerações sobre a regulamentação da profissão de Analista de Sistemas

19 de abril de 2008

A primeira coisa que é relevante dizer sobre o PLS 607/2007 (em tramitação no Senado e já causando barulho) é que a alcunha de “regulamentação da profissão de Analista de Sistemas” passa a falsa idéia de que o texto só atinge profissionais registrados em carteira, ou mesmo apenas aqueles cujo título seja extamente “Analista de Sistemas”. Ledo engano: o artigo 4º do texto original é tão abrangente na sua definição da atividade regulamentada que acaba incluindo desde programadores e analistas até o pessoal de suporte, consultores, supervisores (possivelmente alguns gerentes) – e até mesmo professores e pesquisadores.

Chamei a atenção agora? Ótimo.

Não se enganem: eu sou o primeiro a afirmar, a quem interessar possa, que a maior parte do que se faz em termos de desenvolvimento de software no Brasil não presta, ponto. Há indícios de que isso se aplica ao resto do mundo, mas no nosso caso o amadorismo alcança fronteiras ímpares. A julgar pelo pouco que aprendi no contato com profissionais e empresas de fora, isso tem uma relação forte com aquele clima de “brodagem”, que substitui a transparência e o discurso direto pelo “deixa disso, pega leve” e pelo “dá uma chance, o cara mal chegou”. Sei que há um lado humanitário nesse lance de um cobrir o outro, mas no final do dia o que acontece é que se faz muita besteira, e ninguém é responsabilizado. Cansei de ver, e não duvido que você também.

Seja qual for a causa do problema da qualidade do software (e que julgo ser o grande motivador da tal regulamentação, dados os paralelos feitos com médicos, advogados e engenheiros civis), o fato é que a idéia de resolver um problema tão complexo por mero decreto… olha, pegando leve, diria que não se trata meramente de um raciocíno distorcido ou simplificado. É, no mínimo, uma demonstração de fé.

É fé porque tem uma entidade sacrossanta envolvida – uma que, assim como as outras que adoramos por essas bandas, raramente se manifesta de forma mensurável: a lei. Não o instrumento jurídico em si – esse é parte importante da vida em sociedade. Estou falando da canetada, daquele gesto mágico no qual o “dotô”, a “otoridade”, o “coroné”, enfim, aquele moço que fala bonito aponta um dedo e pronto, os problemas desaparecem. Fim de papo, tudo resolvido, podem voltar todos para as sua baias.

O Brasil tem leis demais, burocracia demais. Se fosse só uma opinião minha, tudo bem – mas não é difícil encontrar juristas que sustentam tal afirmação (e isso me poupa de apoiá-la nos abundantes exemplos surreais – lembra da proibição das enchentes?) e ir direto ao ponto: adicionar mais esse entrave não vai simplesmente complicar a vida de empresas e profissionais (trazendo pouco ou nenhum benefício para os que nela se enquadrarem) – a natureza cultural do problema fará com que o mecanismo perverso da mediocridade use a lei a seu favor. Explico adiante.

É oportuno lembrar que não estou advogando em causa própria: tenho em carteira a profissão de Analista de Sistemas por tempo mais do que suficiente para obter o tal registro (Art. 2°, §II), e ainda que não fosse o caso até poderia continuar trazendo o leitinho das crianças pra casa enquanto Técnico em Processamento de Dados, que cursei quando o mesmo era integrado ao segundo grau.

Mas o meu exemplo pessoal é útil porque demonstra um dos absurdos desta lei: estou em vias de concluir minha (tardia) graduação em Matemática Aplicada e Computacional numa universidade de renome. O currículo básico já oferece base para muitas das atividades mencionadas na lei, e o aluno típico complementa sua formação como desejar. No entanto, não é um “diploma de nível superior em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados”, como pede a cartilha. Trata-se, evidentemente, de um diploma de qualidade inferior, cujos formandos só estão aptos a ganhar dinheiro no computador usando o Orolix.

Eu sei, é provável que o texto seja revisado (se é que já não o foi) para incluir formações correlatas (mas talvez não seja, afinal, uma das críticas fortes é sobre a não-especialização). Mas o fato é que passa-se um recado: se este projeto de lei for aprovado, toda uma garotada que se forma comigo – cujo preparo posso atestar com olhos de mercado – passa a se ver alienada de uma gama de atividades no meio corporativo (há quem comemore isso lá dentro, por acreditar que a função principal da universidade é formar pesquisadores e não profissionais, mas esse é assunto para outro dia).

Não se preocupem com o destino deles: além da possível distensão mencionada, eles têm muito campo de trabalho fora de TI, e sempre haverá a oportunidade de migrar para um país sério – no qual serão acolhidos de braços abertos e poderão criar software de qualidade. Os não-formados talentosos também não têm com o que se preocupar: um mundo conectado oferece oportunidades diversas para eles.

O maior prejudicado será mesmo a sociedade civil – justamente aquela que banca a educação (formal ou não) dos talentos que poderiam fazer uma diferença. Salvo as exceções (sim, existem) que conseguirem administrar seu tempo entre obter uma titulação mais “caxias” e a imersão no delicado artesanato que é a base do desenvolvimento de software de qualidade, o que restará a nós, usuários, é software desenvolvido por pessoas de visão tão apurada quanto a da maioria dos nossos legisladores – e com a mesma qualidade e eficácia demonstrada por suas leis.

Há uma pequena luz no fim do túnel: o item que determinava a criação de conselhos regionais e federal para executar a regulamentação foi derrubado do texto, tornando o projeto menos atrativo para políticos interessados na imensa quantidade de cargos públicos que tais órgãos gerariam. Ainda assim, sugiro que você pense no assunto quando estiver acessando aquele internet banking tosqueira que só roda num tipo de computador, ou quando estiver diante daquela intranet burra da sua empresa…

(pequenas correções de concordância e digitação feitas em 01/05/2008)

BitchMaps

10 de abril de 2008

bitchmaps.jpgO GPGuia é um fórum sobre “acompanhantes” que surpreende pela dedicação dos usuários em enumerar e avaliar os diversos lugares que oferecem esse tipo de serviço, gerando um suprimento constante de “causos” curiosos que divertem até mesmo o internauta que não tem qualquer relação com esta atividade.

Mas o assunto é outro: pelo fato de o GPGuia ser fortemente baseado em endereços físicos, era natural que alguém fizesse um mashup com o Google Maps ou algum outro sistema do gênero – e essa é a proposta do BitchMaps. O site processa os endereços do fórum em sistemas de geotagging e disponibiliza o resultado num formato compatível com vários sites e softwares de mapa, incluindo o Google Earth e o iPhone(*).

O resultado é o verdadeiro “mapa das minas”, como bem colocou o Fausto do Boteco Sujo. Eu só fico imaginando nego sacando o iPhone e procurando os “pins” mais próximos do local …

(*) claro que tentei rodar no meu Nokia E62, mas o Google Maps no Symbian limita a 9 pontos por mapa – e parece que o mesmo vale para BlackBerry, Windows Mobile e outros não-Apple.