Arquivos para janeiro, 2009

Escrever qualquer coisa informativa sobre o evento é chover no molhado: blogueiros e tuiteiros cobriram todo e qualquer aspecto sobre o mesmo. Tudo o que eu tenho a dizer é que eu curti bastante esse ano, por conta do tripé: ver velhos contatos (com as mais novas roupagens), conhecer gente nova e trocar informações. Fora, claro, baixar MUITA coisa via Torrent e Direct Connect.

Houve pontos baixos, tais como: as atitudes infelizes de participantes que expulsaram artistas e bolinaram coelhinhas, a proibição inexplicável (e facilmente burlável) de álcool e a comida com preços abusivos e poucas opções vegetarianas. Mas no geral eles não estragaram a vibe.

O legal foi circular entre as várias tribos, e numa dessas eu acabei fazendo uma palestra no Bar Camp, que não foi sobre tecnologia, e sim sobre fotografia. Começou como brincadeira e acabou virando um convite irreverente para trazer as pessoas para esse mundo, apelando para o ponto fraco: “Técnicas De Fotografia Para Pegar Mulher“. Fez mais sucesso do que eu esperava – pena que ninguém filmou (acho).

Ano que vem eu acampo – e quem sabe falo de algo sério?

UPDATE: Após a palestra, dei uma entrevista para o Joselé Martins, do Canal8. Assista aqui.

UPDATE 2: Também dei um breve depoimento para a Folha Online, sobre altos e baixos do Campus Party.

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Comecei a ler este livro anos atrás, mas acabei não terminando, e retomei ele após ler o recém-comentado Os Vagabundos Iluminados, já que ambos são histórias semi-autobiográficas nas quais o zen-budismo exerce influência num contexto urbano ocidental (especificamente, nos EUA).

Mas a semelhança termina aí. O livro do Kerouac é um desfile de personagens, que não pretende ensinar muito (até porque é questionável se os protagonistas realmente tinham muito o que ensinar). Já o Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas é mais profundo: seu objetivo é analisar diversos temas filosóficos (tais como teoria do conhecimento, ética e filosofia da ciência) usando como pano de fundo a viagem de moto que o autor faz com seu filho Chris e com um casal de amigos.

A narração da viagem é intercalada com considerações sobre os temas expostos – uma das primeiras é a comparação entre a visão “romântica” do conhecimento (que estaria interessada na forma superficial e nas relações entre as coisas) e a “clássica” (mais centrada na composição e no funcionamento subjacente). É fácil enxergar aí o conflito entre humanas e exatas, entre gente que tem pavor da tecnologia (personificada no livro pela mecânica de motocicletas) e os geeks que conseguem encontrar a beleza nisso – não é à toa que faz parte da lista de livros recomendados por Joel Spolsky para programadores que levam o ofício a sério.

O autor alega que esta distinção não é tão natural quanto parece, e retrocede aos gregos para demonstrar este argumento. Segundo ele, é necessário reconciliar estas visões para sustentar, entre outras coisas, a universalidade e confiabilidade do conhecimento científico, e para tanto ele propõe o uso do conceito de “Qualidade” – algo que que todos nós conhecemos mas quase ninguém é capaz de definir com clareza (de fato, uma das proposições centrais é que o conceito não é passível de definição).

Nesta busca, o leitor vai descobrindo que o autor é assombrado por Fedro, um “fantasma” do passado, cuja natureza vai se revelando, e que enriquece os dois lados da história – os discursos filosóficos ganham um contraponto, permitindo diálogos no estilo Sócrates/Platão; e a história da viagem se revela como a busca pela reconciliação do autor com seu passado (Fedro) e futuro (Chris).

Um ponto digno de nota é como ele expõe de maneira extremamente acessível a não-iniciados questões espinhosas, tais como a da origem sensorial do conhecimento – contrapondo o empirismo em Hume (para quem, grosso modo, o conhecimento é produto direto da experiência) e a visão mais equilibrada de Kant (que resgata o conceito de conhecimento a priori, pondo-o à luz do mundo sensorial). Outro tema no qual verifica-se a qualidade da sua oratória é quando ele explica a ameaça que a descoberta de geometrias não-Euclidianas representou para a estrutura do conhecimento vigente até então.

Ao final, o leitor pode ou não concordar com a tese do autor. Mas seguramente sairá da leitura com uma noção menos nublada e preconceituosa das diferentes maneiras de enxergar o conhecimento humano. E como brinde vem um enredo bem bacana, que ajuda na digestão do grande volume de informações.

Você pode ler online online, ou comprar aqui.

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Quando você tem no currículo coisas que vão desde filmes da Troma até produções mais mainstream como Scooby Doo, o que resta pra fazer da vida? No caso de James Gunn, a resposta foi o PG Porn – que se auto-define como um projeto para “pessoas que gostam de tudo na pornografia – menos o sexo”.

Com a ajuda dos irmãos, ele conseguiu juntar atores famosos de Hollywood com atrizes famosas da indústria pornô, e produzir alguns curtas bem inspirados – que começam com uma história típica de filme pornô, mas na hora do “vamos ver” rola algum tipo de twist tragi-cômico. Sempre num nível altamente família, como sugere o nome (tanto que estão hospedados no YouTube).

Por enquanto produziu alguns poucos, mas já se destacou por Peanus – Episode 1, que junta Michael Rosenbaum (o Lex Luthor de Smallville) com Belladonna (que eu acho que deveria tentar mais papéis fora da indústria adulta, ela é hilária), interpretando Charlie Brown e Lucy Van Pelt:

Estou de olho no que esses malucos vão produzir – por ora, dá pra saber mais via Ambrosia e Wikipedia.

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O mais perto que eu cheguei do nirvana foi ler Os Vagabundos Iluminados enquanto tomava sol e cerveja na praia, cercado de mulheres. Confesso que, por ser do mesmo autor de Pé na Estrada (que imortalizou a chamada geração beat) eu esperava algo na linha “mais do mesmo”, mas fui positivamente surpreendido.

De fato, o livro é, como seu predecessor, um relato semi-autobiográfico (i.e., romanceado e com nomes trocados, mas essencialmente calcado em experiências do autor com outros beatniks) – só que narra uma fase um pouco diferente, na qual ele e os outros personagens já estão completamente imersos nos conceitos do zen-budismo, aplicando-os ao dia-a-dia beat – bem à margem do “american way of life”.

Tal imersão é responsável por altos e baixos no livro: ao mesmo tempo em que delineia um contraste esteticamente interessante entre os objetivos de elevação espiritual e as atitudes mundanas dos personagens (muitas vezes justificadas como tentativas de vivenciar a iluminação), também acaba motivando momentos que beiram o nonsense (a leitura superficial do zen-budismo, é, de fato, uma crítica muito comum aos beatniks).

Quem espera uma trama elaborada pode sair frustrado: o retrato se sobressai ao roteiro, sendo comuns as descrições de lugares e caronas que, embora interessantes, pouco contribuem com a história. Se esta característica não for obstáculo, o livro é bastante agradável, deixando um retrato interessante (ainda que superficial) desse amálgama “zen-beat” e abrindo o apetite para uma imersão mais profunda em qualquer um dos dois universos.

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A Carne é Fraca se propõe a mostrar em cores vivas as conseqüências do consumo de carne, e abre apresentando dados objetivos sobre o impacto desta prática no meio ambiente. Ele segue para impactantes cenas de onde e como os animais são criados e abatidos, e finaliza com considerações para quem deseja se afastar deste ciclo deprimente, isto é, adotar alguma forma de vegetarianismo.

Sob um ponto de vista pragmático, o início e o fim são as maiores fontes de informação (por exemplo, comparações numéricas entre a população humana e a bovina em estados pecuaristas, ou a desmistificação de crenças comuns sobre a viabilidade, em termos de nutrição, de não se comer carne). Mas o meio é a parte mais impactante do filme: uma coisa é saber que certas coisas acontecem, outra é ver.

Claro que há uma certa parcialidade nas opiniões e na seleção das cenas – afinal, o objetivo é defender uma causa – mas os fatos apresentados são inequívocos e facilmente verificáveis. Recomendo fortemente para pessoas que, como eu, vivem um pouco em cima do muro com essa questão do consumo de carne, e mesmo para carnívoros convictos – se a sua convicção não se abalar com isso, excelente, siga sua vida. Da minha parte, não foi um passo na direção do vegetarianismo – foi um galope.

Eu assisti em DVD (gentilmente cedido pelo Lucas do Septograma), mas o vídeo pode ser visto legalmente no YouTube (parte 1 / parte 2). Quem preferir o DVD pode também adquiri-lo direto no site do Instituto Nina Rosa, que tem muito mais informações sobre o tema.

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