Mês: maio 2009

Pragmatismo

11 de maio de 2009

Ontem eu passei por uma experiência de dor extrema, daquelas que ajudam você a rever suas prioridades. Mas nada do que eu escrever sobre pragmatismo vai superar o post do Chico Anysio (que eu nem sabia que tinha um blog) a esse respeito. Reproduzo na íntegra:

‘Estou de saída. Tive uma pneumonia na semana passada e isto me abriu os olhos para uma realidade da qual eu ainda não estava vivendo no seu todo. Mesmo depois de ter completado 78 anos eu continuava me sentido em pé, dentro da vida, tendo a impossibilidade de fazer caminhadas, pela existência do enfisema. No mais eu nem me lembrava da minha idade e chegava a fazer planos para daqui a 12, 15 anos. De um dia para o outro veio a pneumonia que, junto com “queda” é a maior causa de morte dos idosos. Em dois dias eu envelheci, quando pouco, 5 anos. Então resolvi tomar uma decisão a meu favor e tomei: estou de saída. Vou parar com todas as coisas que não sejam obrigatórias e escrever esses textos é uma delas. Estou de saída desse bloglog querido. Despeço-me dos amigos (e inimigos – embora estes sejam em número bem menor) e vou fazer uma trabalhos para os quais me contratem. Tenho 3 filmes para fazer, até agosto e farei os 3 com a maior alegria. Tenho 8 shows contratados com a Light e os farei; tenho 10 shows contratados com o Bar Brahma para os domingos, em São Paulo e os realizarei. Tenho (por enquanto) seis shows “Chico.Tom” para fazer com o Tom Cavalcante e cumprirei esta pauta e mais os outros shows que aparecerão. Do resto eu estou de saída. Deixo ai 9 filhos. 8 homens e uma princesa. Dos 8, pelo menos uns 5 atuam na área do divertissement e isto me agrada muito. Vou sentir saudade de vocês que perderam tempo lendo meus textos, como não há como não sentir falta dos que me acompanharam NO GERAL DA VIDA. A vida está ai para que nós a aproveitemos, mas a verdade é que eu estou de saída. Vou viver em função do meu adorado enfisema. Digo adorado porque pelo tanto que eu fumei, eu poderia perfeitamente ter tido um câncer. O enfisema, então, eu o vejo como uma espécie de presente. Espero que nos vejamos por ai… um forte abraço.’

Trilha sonora: Elvis Presley – A Little Less Conversation

O meu autógrafo (póstumo) do Pedro de Lara (ou: como a Bruna Beber virou minha bff)

6 de maio de 2009

Um dos meus passatempos favoritos no trabalho é transcrever algum dos aforismos do Livro da Sabedoria do Pedro de Lara no quadro-branco, tirando um pouco os programadores da sua zona de conforto intelectual.

Qual não foi a minha surpresa quando a Bruna Beber me contou que, em suas andanças pela cidade, conheceu pessoalmente Mag de Lara, a viúva do mestre. Mais ainda: quando a Bruna mencionou minha dedicação em disseminar a sua obra, a Mag de Lara gentilmente me agraciou com o mimo que digitalizei abaixo: um autógrafo póstumo do Pedro de Lara!

autografo_pedro_de_lara.jpg

Fica claro pela diferença na cor da caneta que não foi bruxaria: ele deixou alguns com ela (se isso não é badass, eu não sei o que é), que só adicionou o meu nome. Desnecessário dizer que, depois dessa, a Bruna é minha best friend forever and ever and evah!

Ato contra a Lei Azeredo (“AI-5 digital”)

5 de maio de 2009

Antes de tudo, devo confessar que não sou exatamente um fã de movimentos “offline” originados na web: quase sempre são grandes focos de vergonha alheia e/ou associações baseadas em análise superficial, muitas vezes colocando causas socialmente importantes em pé de igualdade com frivolidades.

No entanto, o protesto contra a chamada “Lei Azeredo” (que é, na realidade, um projeto de lei, batizado com o sobrenome do senador que o defende) não é um desses casos, e vale a pena ao menos saber do que se trata. Tenho lá as minhas dúvidas se chamar de “AI-5 digital” não é justamente uma das associações mencionadas acima, mas não posso deixar de admitir algumas semelhanças, particularmente no tocante à supressão de liberdades civis em nome de um “bem maior”.

Apesar de ter um lado bastante importante (a tipificação de crimes digitais), o projeto de lei embute mecanismos de controle que tripudiam sobre liberdades democráticas conquistadas há menos tempo do que possa parecer – e, pior ainda, sem qualquer espécie de eficácia comprovada naquilo a que se propõem: combater o crime digital.

É um caso raro de lei que vai prejudicar desde as classes mais abastadas (que ficarão muito mais vulneráveis ao constrangimento, ao assédio e até à fraude com a implementação de mecanismos de monitoração nos provedores sem qualquer garantia de capacidade ou interesse em manter esta informação sob sigilo) até as mais populares (cujos integrantes encontrarão mais entraves em algo já pouco trivial de se conseguir, e que para muitos é instrumento de inclusão e mobilidade social: o acesso à internet).

Tudo isso torna a manifestação da sociedade civil importante, e por isso pretendo estar lá!

UPDATE: Fiz vários comentários (e até postei fotos) do ato no Twitter, mas resumindo: não foi um panelaço como eu esperava, e sim um evento oficial da casa, contando com representantes de várias entidades, acadêmicos, deputados e até com o Senador Suplicy. Este último foi bastante comedido, mas acabou admitindo (por conta de oportuna intervenção da jornalista Marina Lang, da Folha – para quem até dei um depoimento) que o partido errou em aprovar o projeto original no Senado, mas já está trabalhando num substituto e na interrupção do trâmite do atual. Ou seja, há luz no fim do túnel, mas é preciso continuar dando atenção ao caso.

ato-contraai5digital.jpg