Eu não me ligo muito em campanhas inter-blogs, mas vou abrir uma exceção.
A história: um blog fez uma resenha não muito positiva sobre um bar, e os donos reagiram da pior forma possível: ameaçando processar os caras se eles não tirarem o post do ar.
Felizmente nunca fui ao local, mas amigos bons de copo confirmam que o atendimento lá deixa muito a desejar. E mesmo que não fosse o caso, a atitude correta seria responder (ou até, sei lá, viagem minha, melhorar o serviço), e não soltar os advogados.
Oportunamente surgiu a excelente idéia de reproduzir o post em tudo quanto é blog, tornando impossível essa tentativa estúpida e truculenta de censura. Segue, portanto, a íntegra da resenha (mas não deixe de acompanhar os comentários no post original):

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.
- Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
- Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui
- Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.
Resenhado por Raphael Quatrocci às 23:22
O simpleyql é uma biblioteca que facilita bastante o desenvolvimento de aplicações em Java que manipulem dados de usuários do Yahoo! Meme (ou de quaisquer sites do Yahoo! que estejam expostos via YQL e oAuth).
Na teoria, é possível usar uma biblioteca de oAuth pré-existente para isso (o próprio simpleyql se baseia em classes disponíveis no oauth.net), mas quando eu e a Bani começamos o MemeThis (falo dele em outro post) vimos que as particularidades do Y! tornariam o código demasiadamente complexo.
Além disso, essas classes exigem um grau de entendimento de oAuth maior do que o puramente conceitual. E o fato de o Yahoo! disponibilizar bibliotecas para outras linguagens – mas não para Java – foi a gota d’água que motivou a criação da biblioteca.
Com ela, basta uma quantidade mínima de código para iniciar o processo de autorização do usuário – um passo necessário quando ele acessa sua aplicação pela primeira vez. Dali em diante basta manter a chave de acesso atualizada no banco de dados ou equivalente, e você poderá usá-la em uma chamada simples sempre que quiser interagir com o Y! em nome da pessoa.
Parece simples? Ótimo, essa era a idéia: encapsular os detalhes do vai-e-vem de tokens e permitir ao desenvolvedor focar apenas na aplicação. A biblioteca é compatível com o Google App Engine (o MemeThis roda nele), então não tem mais desculpa: se a sua praia é Java, a hora de desenvolver pro Yahoo! Meme é agora.
Quem tem iPhone da primeira geração (não 3G ou 3GS) pode usar o PwnageTool novo e a receita de bolo que eu publiquei outro dia para atualizar para o OS 3.1. Testei no meu, que já tinha o 3.0, e rolou sem problemas.
Nem foi preciso fazer o unlock novamente – ou seja, se o seu já inicializa com o logo do abacaxi, pode responder “yes” na última pergunta (quando ele fala sobre o “pineapple logo”.)
O Cydia parece mais esperto que o Icy, que baixou um sshd velho com dependências todas erradas. Na dúvida, fique no Cydia quando for instalar aplicativos livres. De resto, mande bala.
(dica do @roudi)
Muita gente deve lembrar de um vídeo que circulou há uns dois ou três anos, em que personagens 3D cantavam a genial música The Internet is for Porn.
A animação era feita através de machinima, isto é, da encenação de cada trecho através de um videojogo 3D pré-existente (no caso, World of Warcraft) e posterior edição. E a música era de uma cena do musical Avenue Q da Broadway – no qual atores contracenam com leituras adultas dos personagens da versão original de Vila Sésamo. Na real, esse foi um só das vários mashups que fizeram com a música – mas sem dúvida o que mais circulou por estas bandas.
Isso tudo era só pra falar que eu fui assistir Avenida Q, uma montagem muito competente inspirada na original. A história é, como tuitou a Bani, deprê e engraçada ao mesmo tempo. É difícil descrever quão bem funciona o lance dos titereiros (levante a mão quem lembrou de “Quero Ser John Malkovich” quando leu esta palava), mas eles são excelentes.
Não vi a original, mas se a adaptação da música mencionada (que eu julgava impossível de ser feita) for um sinal de fidelidade, os caras mandaram muito bem. Enfim, é um ótimo espetáculo, independente da sua relação com o meme. Veja o meu caso: além de não ter visto nenhum dos musicais mencionados no tweet acima, eu mal conhecia o Gary Coleman (um dos personagens é uma versão adulta e decadente dele), e curti mesmo assim.
Mas uma coisa eu já entrei lá sabendo: que a internet é pornô. :-P
De Dresden eu fui a Berlim, que também transpira história a cada esquina. Mas tem uma diferença: Dresden é um lugar mais “leve”, mesmo longe da zona-de-conto-de-fadas, enquanto que em Berlim vivencia-se o fato de estar em uma grande metrópole. Isso se junta às questões da história recente (que nem preciso abordar a fundo) para deixar o clima um pouco mais pesado. Mas só um pouco.
Em termos de hostel, a experiência não foi muito boa. No Mittes os banheiros são coletivos, e a limpeza muitas vezes deixou a desejar. Os funcionários (no geral bem jovens) têm pouca fluência no inglês ou boa-vontade para qualquer coisa que não tenha a ver com bebida ou balada. Parece um lugar legal para adolescentes que querem sair da saia dos pais, fora isso não tem nenhum atrativo.
O café da manhã variava muito: quando os caras abasteciam ele valia os €5.50, mas em dois dos quatro dias eu achei coisas melhores para comer na rua. Tem Wi-Fi, mas eles cobravam o dobro do pessoal de Dresden (e era o mesmo service provider) e, ao contrário de lá, não tinha uma taxa fixa diária.
Fiquei tão puto que confesso ter abusado de uma falha idiota do sistema: quando você dava logoff ele não derrubava as conexões existentes, permitindo fazer downloads gigantes ou ficar no GTalk usando apenas 1 ou 2 minutos da conta. É feio isso, mas considerei questão de justiça pelo preço extorsivo e atendimento “yeah, whatever”.
O que me manteve lá foi a localização: não só ele era tão perto da estação de trem inter-municipal quanto o de Dresden, mas também tinha acesso ao metrô logo na porta – e também um internet café com o curioso nome de “Bollywood” (o dono era um indiano que, tirando o hábito de fumar de vez em quando naquele lugar fechado, era gente boa.)
E isso é o mais importante, porque Berlim tem *muito* a oferecer. A dica que me deram e eu repasso é fazer, antes de mais nada, o Free City Tour. É um passeio a pé pelo centro da cidade que vai mostrar as principais atrações e apresentar uma perspectiva histórica de cada uma delas.
Depois desse passeio você seguramente vai saber o que fazer e para onde ir. Por “free” entenda que ao final é praxe dar uma gorgeta ao guia – ele não recebem salário e essa gorgeta é tudo o que ele vai ganhar. €5 é um básico, €10 e acima se você realmente gostou (como no caso do meu guia.)
Sugestão: em qualquer dia sem chuva suba na Fernsehturm, a torre de TV – eu achei que todo dia era dia, e acabei não indo porque o tempo fechou (substituí por um passeio na Lego Land do Sony Center – que, de boa, não vale os €15.)
A minha fama de apreciador da cultura e das artes é uma farsa elaborada que exige manutenção constante. Isso me levou à East Side Gallery, na qual uma seção sobrante do muro é usada como galeria de arte ao ar livre. Claro que o discurso acerca da unificação é o mote, mas é interessante ver como outras bandeiras políticas e influências culturais se misturam e dão origem a peças únicas.
Tem museus a dar com pau, e o sistema de transporte público permite visitá-los com facilidade. O hostel tinha alguns mapas turísticos, mas nenhum bom – o único legal mesmo foi o que o pessoal do Free City Tour deu (que você pode pegar no Starbucks que marca a saída, ou com o guia.)
Um passeio bem bacana foi a ida até o município vizinho de Potdsam – foi um pouco complicado chegar porque uma das rotas estava inoperante devido a uma inundação – e eles só avisam isso nos letreiros em alemão. Fica a dica: informe-se antes de sair se for fazer esses passeios mais longos.
O ideal é alugar bicicletas (o que pode ser feito lá ou em Berlim, os trens acomodam bicicletas numa boa), mas chegamos meio tarde e acabamos percorrendo o grande jardim a pé. Quase morri, mas valeu: os jardins e castelos são indescritíveis – num deles funciona a Universidade de Potsdam. Igualzinho ao IME. :-P
Compramos um mapa turístico por €2 que permitiu fazer esse passeio por conta, mas nem ele antecipou a surpresa que foi encontrar a Brandenburger Straße: com um mercado de comes e bebes ao ar livre, a rua é o destino final ideal para um fim de passeio (se você não chegar tarde como a gente.)
A cidade é famosa pela vida noturna – mas a minha também é, então só topei sair à noite para lugares que fossem “lado B” o bastante (já que durante o dia eu andava bastante). O Leo foi providencial nessa hora, tirando da manga dois lugares interessantes: o Chill Out, um barzinho bem aconchegante, família mesmo (se você não levar em conta a boneca inflável que fica sentada na mesa de bilhar), e o Cafe Zapata.
Esse último é mais curioso: reza a lenda que quando o muro caiu, alguns edifícios de Berlim Oriental foram parcial ou integralmente abandonados por seus habitantes, que zarparam para o outro lado. Um deles foi tomado por uma galera e transformado em um misto de espaço cultural alternativo e balada.
Por €2 eles carimbam o guardinha do Firefox na sua mão, o que permite entrar e sair à vontade – um lance importante, dado o preço das bebidas lá dentro. Por “dentro” entenda-se a antiga garagem do prédio, onde as barraquinhas de bebida dividem espaço com um palco, onde uma banda fazia covers competentes de rock anglo-americano clássico.
Ainda no térreo tinha uma área fechada que parecia até uma danceteria normal – a menos do povo freak extreme e do dragão metálico soltando fogo esporadicamente. Isso sem falar em uma máquina de fliperama mega antiga que eu nem conhecia – era alguma coisa velhaca da Taito ou Atari, coisa de anos 80 ou até anterior. Surreal no último.
Nos andares do prédio (cobertos por pôsteres e grafitti) você não paga para entrar, e cada um tem uma coisa – desde baladas mais descompromissadas até uma daquelas feirinhas de “arte” estilo Benedito Calixto. A maior parte do pessoal é bem de boa, com a eventual trupe de girls-gone-wild dando um colorido. Uma balada bem alternativa.
Um outro lance muito divertido foi conhecer o Ampelmännchen, ou Ampelmann. Os alemães orientais criaram este personagem especialmente para orientar as crianças acerca da importância de atravessar no farol. É mole?
Sei lá qual foi o resultado, mas a coisa virou febre: na lojinha (que tem versão online) você encontra todos os produtos possíveis e imagináveis: roupas, canecas, móveis, até bala de goma e guarda-chuva! Dá pra viver só usando produtos do Ampelmann. Isso sem falar no restaurante, que não deu tempo de visitar.
Enfim, um país que gasta tanta energia com um detalhe como o bonequinho do farol merece uma visita. Próxima parada: Praga.