Mês: janeiro 2010

Plataforma Vivo: um canal comercial para desenvolvedores JME independentes.

29 de janeiro de 2010

Continuando o assunto do último post: fui ao workshop que a Vivo deu sobre a plataforma no Campus Party, no qual os palestrantes Sena e Lecy foram muito gentis em responder ao caminhão de perguntas que eu tinha sobre o assunto.

Antes de mais nada: ao contrário do que a apresentação da API SMS multi-linguagem dava a entender, a idéia inicial da plataforma não é disponibilizar aplicações server-side baseadas em SMS. Isso é tecnicamente possível, mas a idéia é realmente algo nos moldes da App Store da Apple, isto é, um marketplace para que as pessoas comprem e baixem aplicativos sem as complicações de download e pagamento tradicionalmente envolvidas nesse tipo de operação.

O público consiste em assinantes Vivo cujos celulares rodem aplicações Java (JME). Pode parecer restritivo, mas fazendo as contas, estamos falando de algumas dezenas de milhões de clientes potenciais nessas características (segundo a própria Vivo). Com um detalhe: tudo em português, direto no celular, e debitando na conta – ou seja, nada de cartão de crédito ou de exigir um celular de elite – as maiores barreiras entre o “jeito Apple” e o público brasileiro.

O outro aspecto comercial interessante é que, de fato, o desenvolvedor interage diretamente com a Vivo, com um processo bem definido para colocar sua aplicação no ar. Isso é, talvez, a parte mais revolucionária da proposta. Hoje em dia, um desenvolvedor que queira colocar suas aplicações à venda numa operadora precisa, necessariamente, passar por um intermediário.

Comparando com iPhone OS/Objective C (a única outra plataforma viável para desenvolvedores independentes), os aparelhos não têm todas as plumas e paetês (alguns até tem, mas se você quer um público amplo tem que abrir mão), mas a curva de aprendizado e o tempo/complexidade de desenvolvimento são maiores – em particular se você for cuidadoso com detalhes como gerenciamento de memória. Além disso, você desenvolve usando qualquer computador/sistema operacional, o que é outra vantagem em termos de custo.

Com essa perspectiva fica bem mais fácil entender as informações no site. No geral, o processo é:

  1. Desenvolver a aplicação usando JME/Java. Se sua aplicação gerar envio de SMS, use as APIs – fora isso é uma aplicação JME absolutamente normal;
  2. Submeter a aplicação à certificação como “beta”. A aprovação nesse processo já vai permitir colocar a aplicação à venda por R$ 0,99 ou R$ 1,99 (à sua escolha). Disso, 70% é seu. E do tráfego de SMS que a aplicação gerar, 10% também vai para o seu bolso;
  3. Uma vez que a aplicação tenha sua viabilidade comprovada, ela pode ser submetida para o processo completo de certificação, no qual estará lado a lado com as aplicações dos grandes vendedores (a preços equivalentes).

Assim como o sistema, o processo ainda está sendo desenhado e implementado – o passo 2 só rola a partir de Março. Mas não é nada viajante como roubar cuecas para obter lucro, e os caras estão realmente abertos a feedback.

Se vai dar certo, só o tempo dirá – mas é a chance que eu queria ter tido em 2005, quando comecei a desenvolver o miniTruco. Na época nenhuma integradora com que conversei se interessou: eles consideravam os gráficos minimalistas como “defeito” – sendo que isso foi feito propositalmente para garantir a universalidade e evitar telas de loading que tanto me irritam nos jogos tradicionais. Hoje, isto é, 300 mil downloads depois, eu suspeito que estava com a razão…

Plataforma Vivo para desenvolvimento e comercialização de aplicativos baseados em SMS – será a App Store tupiniquim?

27 de janeiro de 2010

Show me the money!Parece que ontem a operadora de telefonia móvel Vivo apresentou no Campus Party sua plataforma de desenvolvimento de aplicativos para celulares – apresentação que infelizmente eu perdi por causa de trabalho e tchuva.

A notícia (TI Inside) me deixou salivando: potencialmente a coisa permitiria publicar apps sem o envolvimento de terceiros (como na App Store), mas cobrando direto na conta telefônica – só isso já merece alguma consideração.

O processo começa com a abertura de um cadastro e leitura da documentação das APIs – que são chamadas externamente (ou seja, seu aplicativo não roda no celular, e sim no seu próprio servidor), e consistem no envio de SMS, MMS e WAP Push (que é, grosso modo, o envio de um link para um conteúdo WAP) através de uma API REST (que cheira a SOAP com uma capinha REST por cima, apesar de contar com conversão implícita de JSON), com bibliotecas prontas para PHP, Java e .Net – mas, claro sendo REST, qualquer linguagem vale.

Pode parecer pobre em comparação, digamos, com apps iPhone, mas aplicações baseadas em SMS rodam até mesmo nos celulares mais modestos – eu lembro que, quando vi um pager pela primeira vez, minha primeira reação foi “cara, eu muito faria um adventure de texto rolando nessa parada”. De repente um miniTruco baseado em SMS… idéias mil.

Dei uma olhada na biblioteca Java. Ela é empacotada de maneira, digamos, pouco carinhosa (ex.: inclui o Jakarta Commons HttpClient como código-fonte, misturado com o código da API – provavelmente foi gerada por alguma ferramenta) e abre com um caminhão de issues no Eclipse. O mérito é que vem com uns exemplos (bem básicos) de uso, e os issues devem ser coisa fácil de resolver (depois eu vejo com calma).

Juntando o fato de as APIs só rolarem atualmente num sandbox com a quantidade de “em breve” no site, a primeira leitura é que o produto ainda está bem em construção – o link “modelo de negócio” ser um Flash com quatro slides explica muito sobre o estágio embrionário da empreitada enquanto produto. Dá pra encarar como risco (i.e., será que a plataforma vai pro ar?) ou como oportunidade (dá tempo de desenvolver algo e sair na frente).

E ficam no ar duas grandes dúvidas:

  • As APIs só falam (numa leitura superficial que fiz até agora) em envio de mensagens. E o recebimento? A coisa só pode ser considerada uma aplicação autônoma se o usuário puder enviar SMS de volta, e não achei nenhuma API para que a app consiga receber respostas. Será que a idéia é fazer WAP Push, mandar o cara para o meu site e lá ele interagir para receber o próximo SMS?
  • Quanto isso custa pro usuário? O artigo fala em porcentagens sobre o tráfego gerado, mas não diz quanto o usuário do aplicativo vai pagar por esse tráfego (se for preço normal de SMS, esquece – sai mais barato comprar um netbook pra jogar o adventure de texto :-P). E ainda fala em venda dos aplicativos, o que também é complicado: se o cara tiver que pagar pra baixar e pagar pra usar, só vai dar certo em um país onde as pessoas sejam conformistas a ponto de pagar imposto várias vezes sobre o mesmo produto… ah, tá, entendi.

Espero que as pessoas que foram à apresentação tenhma perguntado essas coisas e postem em algum lugar em breve. Também devo perguntar no fórum e ver no que dá. Eu sou sempre reticente com qualquer associação com operadoras de celular, mas numa primeira análise essa plataforma (quando e se ficar pronta) parece menos evil do que de costume. Vamos ver.

Galeria Central – minha primeira… err… “home page”

18 de janeiro de 2010

Depois que o Yahoo tirou o Geocities da tomada, todo aquele passado de <blink> e <marquee> que a galera das antigas escondia no fundo do armário digital passou a ser retrô-cool.

Isso sem contar que olhar sites antigos das pessoas é tão ou mais divertido do que olhar álbuns de fotos – experimente fuçar a vida online dos seus amigos (em particular a velha guarda) e vai entender o que eu estou falando.

Posto isso, ajuste o DeLorean rumo a 1997/98 (eu tinha uma versão anterior, mas essa foi a que eu achei), ignore links quebrados e acesse a…

Galeria Central
a home page do Chester

(sim, a gente falava desse jeito.)

Bônus: quem precisa de Google Maps? (não, eu não moro mais lá)

Google x Governo Chinês

13 de janeiro de 2010

Protesto na Praça da Paz Celestial, típica cena censurada pelo Google.cn

Minha primeira reação ao saber do imbróglio foi de espanto: o Google China foi vítima de uma invasão que procurava dados de contas de ativistas pró-direitos humanos – e é bem razoável acreditar que o responsável tenha sido o próprio governo. A empresa ameaça fechar sua página local (que pré-censura há anos seus resultados, de forma a agradar ao governo chinês) e até fechar as portas no país.

Ainda não tenho uma leitura definitiva disso – eu quero muito acreditar que é possível manter princípios éticos numa corporação desse tamanho, mas a ida deles à China me jogou um balde de água fria nessa idéia já há alguns anos.

Também não dá pra descartar que a majestade deles é diminuída pela sombra do Baidu, e há quem enxergue nisso uma jogada de transformar um prejuízo em ação de marketing/downsizing disfarçado (eu, pessoalmente, não compro muito essa idéia – não ao menos enquanto não tiver números confiáveis sobre o mercado de busca lá.)

Por ora, tudo o que se tem é um blog post. Vamos ver o que vai acontecer.