Mês: março 2010

Yahoo! Open Hack Day Brazil 2010

Publicado por – 25/03/2010

Essa mochila foi um dos prêmios dos vencedores. Clique para outras fotos do evento.Conforme prometido no post anterior, eis minhas impressões sobre o Yahoo! Open Hack Day Brazil 2010. O evento já foi tão comentado que corro o sério risco de chover no molhado, mas eu não poderia deixar passar em branco.

A organização foi irrepreensível – tínhamos tudo o que era preciso para um fim-de-semana fantástico: espaço, alimentação, transporte, conectividade e o apoio constante de yahoos daqui e de fora para aproveitar muito bem e pirar na criação dos hacks.

Os participantes também se ajudavam bastante: o IRC ajudava a trocar informações técnicas (através do canal #brhackday do freenode), e era muito comum um ir narigar a bancada do outro, fosse para pedir ou oferecer ajuda, dar palpites ou mesmo para mostrar o que tinha feito.

Eu e a Bani tivemos uma alegria extra: o nosso hack (SlideMeme) foi premiado na categoria “Melhor Hack com o Meme” – um prêmio realmente inesperado, dado que a categoria contava com concorrentes de peso – eu fiquei particularmente impressionado com o Meme On Facebook, que, a exemplo do Twitter Meme, integra duas redes de forma 100% transparente.

O grande (e merecido) premiado do júri e do público foi o F1 Results, que mistura dados de corridas de Fórmula 1 com uma evolução (devidamente mencionada) do layout do Wii Love Mario Kart, no melhor espírito hacker. Também é importante destacar a quantidade e qualidade de hacks que ajudam a tornar mais acessíveis as informações públicas/governamentais, nos quais o aspecto lúdico dá lugar ao social. O Pedro Valente fez um bom apanhado desses brinquedos sérios.

A única coisa que me entristeceu um pouco (e que eu não podia deixar de comentar) foi o formato de apresentação do japeguei.com.br. O que poderia ter sido uma maneira bem-humorada de mostrar uma ferramenta bastante interessante de obtenção de dados em redes pessoais foi mote de uma infeliz associação entre nerds e stalkers.

Tenho certeza que a intenção do grupo foi das melhores, mas assumir que a timidez característica dos nerds justifica essa forma de sociopatia (mais ainda: de contravenção penal) cruzou a fronteira. Posto isso, a aplicação ilustra bem as possibilidades de cruzamento que o back-end do Yahoo! oferece, e a idéia de classificar as “pegadas” é, de fato, engraçada (dando margem a agregar conceitos como ranking, reputação e tantos outros que permeiam as redes sociais.)

Outro ponto enriquecedor foram as palestras – independente do seu nível de conhecimento das plataformas, sempre tinha algo relevante para a criação do hack. E não era aquela coisa ultra-comercial característica desse tipo de evento. Parafraseando Kennedy, a pergunta não era “o que o Yahoo! pode fazer por você?”, e sim “o que você pode fazer pelo mundo, usando as ferramentas do Yahoo?”.

Enfim, me junto ao coro dos que consideraram o evento sensacional, muito acima de qualquer expectativa. Aguardo os próximos ansiosamente!

SlideMeme

Publicado por – 24/03/2010

Bani and ChesterBR @ Yahoo! Open Hack Day Brasil 2010O SlideMeme foi hack que eu e a Bani apresentamos no Yahoo! Open Hack Day Brasil 2010. O objetivo dele é oferecer uma forma visualmente agradável e conveniente para postar apresentações do SlideShare no Yahoo! Meme, e claro que ficamos muito contentes por ele ter sido premiado como melhor hack na categoria Meme!
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Coisas que irritam um motorista

Publicado por – 06/03/2010

Andar de ônibus em São Paulo não é nenhuma maravilha. Mas os piores perrengues não se comparam à soma das pequenas irritações causadas por este esporte coletivo espartano que é possuir/dirigir um carro particular, tais como:

Clássica foto da Faria Lima x JK. Autor: Magno

  • Ficar parado no trânsito (sem poder ler, jogar ou navegar);
  • Morrer em uma grana no seguro e não usar;
  • Morrer em uma grana no seguro, usar uma única vez e ver que no ano seguinte ele aumentou em 50% por causa disso;
  • Pagar IPVA, seguro obrigatório e nem lembro mais quais taxas;
  • Fazer inspeção veicular (mais tempo e dinheiro no ralo);
  • Preço da gasolina (que sobe automaticamente em qualquer crise, mas raramente cai quando está tudo bem);
  • Pagar a mensalidade do estacionamento no trabalho (ou ter que negociar um benefício útil no emprego no lugar disso);
  • Comparar o rendimento do valor do carro num investimento com a depreciação ano a ano dele;
  • Lavar ou mandar lavar (ainda que o fizesse trimestralmente, confesso);
  • Trocar o óleo a cada x km;
  • Trocar pastilhas/filtros/repimbocas/etc a cada y/z/k/m km ou meses (e gerenciar esse calendário todo);
  • Fazer revisão obrigatória (que nunca é na hora, nem perto de casa ou do trabalho);
  • O “barulhinho” que surge do nada e que anuncia que uma hora ele vai te deixar na mão (a pior possível);
  • As vinte opiniões amadoras sobre o barulhinho;
  • As cinco opiniões diferentes dos cinco mecânicos consultados sobre o barulhinho;
  • O custo e o tempo para consertar o barulinho;
  • O retorno do barulhinho (não antes de 4h ou 50KM de distância da oficina);
  • O tempo perdido tentando aprender mecânica de automóveis ao invés de algo mais relevante para a sua vida, na (vã) esperança de ser menos enrolado pelos mecânicos;
  • Fazer rodízio dos pneus;
  • Procurar lugar pra estacionar;
  • Ficar pensando “será que ele ainda está onde eu estacionei?”
  • Pagar estacionamento avulso, ou…
  • …decidir se deixa uma grana para o cara que vai “cuidar” (se pagar, você perpetua a extorsão, se não pagar fica pensando no que vai acontecer com o carro);
  • Encontrar o vidro quebrado, gastando uns R$ 200 por causa de um item de R$ 20 que estava no banco traseiro;
  • Queimar uma grana num CD/MP3 player caro (que pode motivar o item anterior) ou escolher entre música pasteurizada de FM e as mesmas notícias repetidas a cada 15 minutos;
  • Tentar lembrar em que andar/vaga do shopping center você deixou o carro;
  • Andar (ou não) com os documentos;
  • “Efeito estufa” nos dias quentes;
  • Pequenos acidentes – esse item vale por muitos:
    • Discussão loser com o outro Sr. Volante (independente de quem tem culpa);
    • Fazer o Boletim de Ocorrência;
    • Acionar o seguro;
    • Fazer orçamento de conserto;
    • Saber que aquela parte nunca vai ficar exatamente do jeito que era;
  • Vidro elétrico que emperra no pior lugar possível (ex.: não fecha quando você está na rua ou na chuva);
  • Carteira de motorista que vence quando você está totalmente sem tempo para ir atrás (e cuja renovação sempre envolve um novo exame ou burocracia em um lugar totalmente distante);
  • Ser o chato que não deixa o carona fumar ou aturar a aura de nicotina durante o resto da semana;
  • Acordar cedo (ou voltar tarde) uma vez por semana por causa do rodízio – e ainda tentar se enganar com consolos do tipo “ah, hoje eu pego menos trânsito”;
  • Pequenos defeitos que “não vale a pena” terceirzar e você tem que resolver. Ex.: lâmpada do pisca queimada;
  • Ser multado porque não percebeu um desses pequenos defeitos (ou ainda, causar um acidente por conta dele);
  • Pegar uma lombada/buraco e quase sentir na pele a “dor” no carro – além de passar os próximos minutos tenso com a possível falha mecânica decorrente;
  • Pagar pedágio como se fosse um viciado: quantidades cada vez maiores, em intervalos cada vez menores;
  • Ficar “na mão” com uma falha mecânica e não poder simplesmente abandonar o veículo e pegar o próximo (como faria com um coletivo);
  • Se você mora numa rua com feira livre (como os meus pais), acordar de madrugada uma vez por semana para tirar o carro, ou ficar com ele preso até o meio da tarde;
  • Abastecer um mísero dia com gasolina de baixa qualidade e aturar o carro engasgando durante o resto da semana (isso se não tiver que trocar algum filtro ou rolar um defeito ainda mais $ério);
  • Medos: furto, colisão grave, atropelamento, assalto no farol, sequestro-relâmpago, falso bloqueio policial, ficar preso em enchente, respirar poluição sem ter para onde fugir… enfim, medo de viver. Estou fora.

Chester no Oriente Médio (Qatar)

Publicado por – 02/03/2010

Está cada vez mais difícil convencer as pessoas de que eu não escolho meus trabalhos baseado no surrealismo das viagens decorrentes. Dessa vez foi um projeto em uma empresa canadense que me levou a passar uma semana em Doha, a capital do Qatar. Quem quiser pode ir direto para as fotos – ou então senta que lá vem história:

Mesquita em frente ao prédio moderno

Embora o Qatar seja um emirado (i.e., administrado por um emir, de forma semelhante a uma monarquia), não faz parte dos Emirados Árabes. Era um protetorado britânico que ia vivendo remediado de pérolas e pesca, até que os japoneses os tiraram do negócio. Mas Alá foi generoso: eles vivem sobre uma reserva de petróleo e gás natural, e focaram a economia nisso. Nos anos 90 o então herdeiro do emir deu um golpe branco, tomando o poder durante uma viagem do pai.

O principal dividendo foi a aceleração do processo de democratização e desenvolvimento social: eleições municipais e parlamentares – incluindo o voto feminino – foram instituídas, e a lei islâmica, embora mantida, foi abrindo espaço para um estado mais liberal. A burca ainda é comum, mas as estrangeiras, por exemplo, já não usam. Eles ainda têm muito o que caminhar, mas é bastante progresso para pouco tempo. A presença massiva de estrangeiros (notadamente indianos) e os negócios com o ocidente seguramente influenciaram este movimento. Ah, e foi esse novo emir quem bancou (mas manteve independente) a Al Jazeera, a “CNN do mundo árabe“.

Assim como Dubai, eles têm infra para acomodar executivos estrangeiros com o mínimo de contato com o “mundo lá fora”. Mas é claro que eu quis pular isso: na minha primeira noite eu comi um arroz frito com falafel e suco de três sabores num lugar meio tosqueirinha – comida com fartura a um preço muito bom (~R$ 11) – provavelmente influenciado pelo câmbio deles, que é atrelado ao dólar – e este último não está no melhor dos seus momentos.

É muito sossegado andar por lá, de dia ou de noite – todo mundo arranha um pouco de inglês, e as ruas são muito seguras (imagino que a lei seja um tanto severa nesse sentido). Só é preciso prestar atenção ao fato de que ainda se trata de um estado islâmico: não é educado ficar tirando fotos das pessoas nas ruas, se dirigir às mulheres sem necessidade (o que eu acho meio triste, sem maldade, mas é o jeito deles) ou se vestir de forma extravagante.

Não deu pra fazer muito turismo: o pessoal lá começa a trabalhar cedo, por volta das 7 horas da manhã, e acaba indo até as 3 da tarde. A gente acabava ficando um pouco mais, e ao voltar para o hotel tinha mais trabalho. Mas consegui fazer três passeios: um ao Museu de Arte Islâmica (um prédio maravilhoso, mas cujo acervo parece um pouco reduzido – talvez os conflitos, cruzadas e tudo o mais tenham destruído muito dessa herança cultural), uma volta no Doha Corniche (a parte “Dubai-esca” do lugar, perto do qual comi aquele pão estilo sírio coletivo com temperos locais, muito bom) e uma visita ao Villaggio (shopping center que conta com parque de diversões, quadra de hóquei e até – pasmem – passeio de gôndola indoors).

Não sei se faria como viagem turística – são 13 a 15 horas de vôo entre São Paulo e Dubai, e 1h de conexão que não é exatamente ponte aérea (esperei 4h na ida e 9h na volta), mas pra quem tem coragem e grana é um jeito fantástico de conhecer o mundo árabe.